A cena cultural goiana recebe um reforço significativo com a abertura da exposição “4 Mestres da Arte” na Vila Cultural Cora Coralina. A mostra, que reúne 60 gravuras de quatro ícones das artes visuais brasileiras – Juarez Machado, Carybé, Antônio Poteiro e Siron Franco –, promete um mergulho profundo na diversidade estética e cultural do país. Com entrada gratuita, a exposição “4 Mestres da Arte” é uma oportunidade imperdível para o público apreciar obras produzidas principalmente entre as décadas de 1960 e 1970, um período crucial para a consolidação de linguagens artísticas modernas e críticas no Brasil. O evento, que tem o apoio do Governo de Goiás por meio do Programa Goyazes, destaca a valorização e difusão das artes visuais, ampliando o acesso da população a um acervo de grande relevância histórica e cultural.
Um encontro de gerações e estilos na Vila Cultural Cora Coralina
A exposição “4 Mestres da Arte” é um panorama singular da produção artística nacional, reunindo nomes que, cada um à sua maneira, moldaram a identidade visual brasileira. As 60 gravuras selecionadas proporcionam uma jornada através de diferentes abordagens estéticas, narrativas e visões críticas do Brasil, com um foco especial na produção das décadas de 1960 e 1970. Este período foi marcado por intensas transformações sociais e políticas, que se refletiram profundamente na arte, impulsionando a experimentação e o engajamento.
As vozes de um Brasil múltiplo
A coletiva é meticulosamente organizada para apresentar as singularidades de cada artista. Juarez Machado, com 10 gravuras, traz sua linguagem crítica e lúdica, muitas vezes permeada por elementos do teatro e da vida urbana. Carybé, com um impressionante conjunto de 30 serigrafias da série “O Compadre de Ogum”, transporta o visitante para o universo da cultura afro-brasileira e do sincretismo religioso baiano. Antônio Poteiro, expoente da arte naïf, apresenta 10 gravuras da sua série “Festa Popular”, repletas de cores vibrantes e um simbolismo que celebra a religiosidade e o folclore nacional. Completando o quarteto, Siron Franco, com 10 obras da série “Visões Rupestres”, estabelece um diálogo entre a ancestralidade do cerrado goiano e a contemporaneidade.
A contribuição individual e coletiva dos mestres
Cada artista presente na exposição representa uma vertente fundamental da arte brasileira, e a junção de suas obras permite uma compreensão mais ampla da riqueza cultural do país. A curadoria da mostra buscou não apenas exibir obras, mas também estabelecer um diálogo entre esses talentos diversos, que, apesar de suas distintas origens e estilos, compartilham a capacidade de retratar um Brasil autêntico e pulsante.
Detalhes das obras e legados artísticos
Juarez Machado: Nascido em Joinville, Santa Catarina, Juarez Machado construiu uma carreira de projeção internacional. Sua arte multimídia é reconhecida pelo uso do humor, da ironia e de elementos surreais para explorar o cotidiano urbano e tecer comentários sobre comportamentos sociais. Suas composições frequentemente apresentam um caráter teatral e sofisticado, convidando o espectador a uma reflexão leve, mas profunda, sobre a existência. As 10 gravuras selecionadas para a exposição são um testemunho de sua habilidade em capturar a essência da vida nas cidades com um toque de poesia e observação aguda.
Carybé: O argentino Hector Julio Páride Bernabó, artisticamente conhecido como Carybé, radicou-se no Brasil em 1949 e tornou-se um dos maiores intérpretes da cultura afro-brasileira. Sua obra é intrinsecamente ligada à Bahia, aos orixás e ao sincretismo religioso. A exposição exibe 30 serigrafias raras da série “O Compadre de Ogum”, que se conectam diretamente com a literatura de Jorge Amado e revelam a vibrante diversidade cultural das ruas de Salvador. A profundidade com que Carybé retrata as divindades e rituais, com traços fortes e cores expressivas, oferece um panorama rico e emocionante da fé e da identidade baiana.
Antônio Poteiro: Nascido em Portugal e radicado em Goiânia, Antônio Batista de Souza, o Antônio Poteiro, é um nome incontornável da arte naïf brasileira. Sua obra é caracterizada por cores intensas, composições vivas e um simbolismo arraigado na religiosidade popular, no folclore e na miscigenação cultural. A série “Festa Popular”, com suas 10 gravuras na exposição, celebra a alegria e a espiritualidade das manifestações culturais brasileiras, mostrando a maestria de Poteiro em transformar cenas cotidianas em representações de grande força expressiva e autenticidade. Sua arte reflete a alma do povo brasileiro, com uma simplicidade aparente que esconde uma complexidade cultural profunda.
Siron Franco: Natural da cidade de Goiás, Siron Franco é um dos artistas mais premiados de sua geração e uma referência central na construção da identidade artística goiana. Sua série “Visões Rupestres”, presente com 10 obras na mostra, propõe uma leitura contemporânea das inscrições ancestrais encontradas no cerrado goiano. Por meio de suas gravuras, Siron conecta memória, território e a resistência dos povos originários, convidando à reflexão sobre a história e a ecologia da região. A obra de Siron Franco, com sua linguagem potente e muitas vezes impactante, é um diálogo contínuo entre o passado e o presente, a terra e o homem.
A relevância de uma exposição histórica
A iniciativa da Vila Cultural Cora Coralina, com o apoio do Governo de Goiás, não apenas valoriza a produção artística, mas também amplia o acesso a obras que, em muitos casos, permanecem em acervos particulares. Como Siron Franco destacou, o projeto “4 Mestres da Arte” se sobressai por proporcionar uma rara oportunidade de contato com conjuntos completos de gravuras de alto valor histórico, artístico e simbólico. Ao reunir, em um mesmo espaço expositivo, trabalhos de Juarez Machado, Carybé, Antônio Poteiro e Siron Franco, a mostra enriquece significativamente as possibilidades de fruição qualificada da arte brasileira produzida ao longo de décadas. A Vila Cultural Cora Coralina, unidade da Secretaria da Cultura (Secult Goiás), com essa exposição, reafirma seu compromisso em ser um polo irradiador de cultura e conhecimento para a comunidade goiana.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Qual o período de visitação da exposição “4 Mestres da Arte”?
A exposição está em cartaz desde 06 de maio e pode ser visitada até o dia 1º de julho.
2. Qual o horário de funcionamento da Vila Cultural Cora Coralina para a exposição?
A Vila Cultural Cora Coralina funciona diariamente, das 9h às 16h, com fechamento da unidade às 17h.
3. Há custo para visitar a exposição “4 Mestres da Arte”?
Não, a entrada para a exposição “4 Mestres da Arte” é gratuita, tornando-a acessível a todos os públicos.
4. Onde a Vila Cultural Cora Coralina está localizada?
A Vila Cultural Cora Coralina fica na Rua 23, Qd. 67, esquina com a Rua 3, Setor Central, em Goiânia (ao lado do Teatro Goiânia).
Não perca a chance de vivenciar essa experiência única e aprofundar seu conhecimento sobre a arte brasileira. Visite a exposição “4 Mestres da Arte” na Vila Cultural Cora Coralina.



