domingo, outubro 11, 2026
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Teatro Goiânia apresenta filmes negros de fantasia, horror e afrofuturismo

O cinema negro brasileiro ganha destaque no Teatro Goiânia neste domingo, 11 de outubro de 2026, com a Curta Mostra Especial – Ficção Especulativa no Cinema Negro Brasileiro. A iniciativa propõe uma imersão em universos que desconstroem narrativas tradicionais, explorando temas de fantasia, horror, ficção científica e afrofuturismo sob uma perspectiva inovadora. A sessão, que se inicia às 15h, é um convite para o público goiano e amantes da sétima arte explorarem a potência criativa de cineastas negros que, por meio da imaginação, abordam questões cruciais de identidade, memória, representação e as inúmeras possibilidades de futuro. A curadoria da pesquisadora Kariny Martins reúne cinco produções impactantes, realizadas entre 2020 e 2025.

A mostra especial: Mergulho na ficção especulativa negra

A Curta Mostra Especial – Ficção Especulativa no Cinema Negro Brasileiro promete ser um evento singular no calendário cultural de Goiânia. Com início pontual às 15h, no prestigiado Teatro Goiânia, a programação oferece uma oportunidade ímpar de contato com produções que desafiam as convenções do cinema nacional. A escolha dos filmes evidencia um movimento crescente de artistas negros que optam por gêneros antes pouco explorados em suas filmografias, rompendo com o realismo frequentemente associado às representações de suas vivências e abrindo caminhos para experimentações visuais e narrativas profundas.

A visão curatorial e a quebra de paradigmas

A curadoria da mostra é assinada pela renomada pesquisadora Kariny Martins, cuja expertise no tema é amplamente reconhecida. A seleção dos cinco curtas-metragens baseia-se em suas extensas pesquisas, culminando no lançamento do livro “Ficção Especulativa no Cinema Negro Brasileiro”, publicado em 2023. Na obra, Martins aprofunda-se em como cineastas negros utilizam a fantasia, a ficção científica e o horror não apenas como elementos estéticos, mas como ferramentas poderosas para construir representações que se contrapõem às imagens historicamente estereotipadas e frequentemente limitadas à violência, à exclusão e à precariedade.

Os filmes da mostra são um reflexo dessa abordagem, afastando-se das linguagens realistas para mergulhar em contextos que transitam pelo onírico, pelo sobrenatural e pela ficção científica. Personagens e experiências negras são inseridas em enredos que questionam a realidade, reinterpretam o passado e projetam futuros alternativos. Essa estratégia não só enriquece o panorama cinematográfico brasileiro, mas também oferece ao público novas perspectivas sobre a condição humana e a diversidade cultural, através de olhares que celebram a imaginação como um ato de resistência e criação. A proposta é mostrar a capacidade do cinema negro de construir universos ricos e complexos, ampliando a compreensão sobre a riqueza de sua produção artística e intelectual.

Desvendando os universos: Os cinco filmes em destaque

A programação da mostra é composta por cinco curtas-metragens, cada um com sua peculiaridade e potência narrativa, oferecendo um panorama diversificado da ficção especulativa no cinema negro.

República (2020), de Grace Passô, abre a sessão. Produzido no auge da pandemia de Covid-19, o curta apresenta uma personagem que, após um telefonema inusitado, se depara com a perturbadora ideia de que o Brasil poderia ser apenas um sonho. A obra, que mescla performance e experimentalismo, convida o espectador a refletir sobre os limites tênues entre a realidade e a imaginação, questionando a percepção do próprio país.

Em seguida, Alexandrina – Um Relâmpago (2022), de Keila-Sankofa, transporta o público para uma revisitação histórica. O filme resgata a figura de uma mulher negra da Amazônia, cuja imagem foi eternizada por registros coloniais, muitas vezes distorcidos. Através de invenção e performance, o curta propõe uma reinterpretação e reconstrução de sua presença, conferindo-lhe uma nova voz e trajetória.

A mostra continua com E Seu Corpo É Belo (2024), de Yuri Costa, uma obra que mescla terror, romance e elementos musicais. Ambientado nas vibrantes festas black do subúrbio carioca dos anos 1970, o filme narra o reencontro entre Carlos e seu ex-namorado Tony. Com claras referências ao blaxploitation, ao soul e à cultura dos bailes black, o curta oferece uma experiência nostálgica e inovadora, explorando os dilemas e belezas dos relacionamentos sob uma estética marcante.

A ficção especulativa se manifesta novamente em A Sombra de Um Futuro (2025), de Gabriel Borges. A trama acompanha Rosa, que é incessantemente perseguida pela lembrança de uma imagem vista em um sonho. Essa perseguição onírica desencadeia uma jornada que transforma radicalmente sua percepção da realidade. O filme estabelece um diálogo profundo com o afrofuturismo e o universo dos sonhos, criando uma narrativa imersiva e introspectiva.

Encerrando a programação, Inabitável (2020), de Enock Carvalho e Matheus Farias, aborda uma temática urgente e sensível. A história segue Marilene em sua busca desesperada pela filha Roberta, uma mulher trans que desapareceu. Em meio a um cenário de violência e incertezas, o filme encontra espaço para explorar e vislumbrar outros futuros e formas de existência, oferecendo uma perspectiva de esperança e resistência em face da adversidade.

Temas e linguagens: Uma tapeçaria de narrativas imaginativas

A diversidade de temas e linguagens presentes nos filmes da Curta Mostra Especial é notável. As produções, oriundas de diferentes regiões do Brasil, convergem na utilização da imaginação como um poderoso catalisador para a criação de novas narrativas. Longe de uma visão homogênea, a mostra tece uma tapeçaria rica e complexa, onde cada curta contribui para a desconstrução de representações estabelecidas e para a ampliação do escopo do cinema brasileiro. Do experimentalismo de “República” ao afrofuturismo de “A Sombra de Um Futuro”, passando pelo terror-romântico de “E Seu Corpo É Belo” e a busca por identidade em “Alexandrina – Um Relâmpago”, até a sensibilidade de “Inabitável”, a seleção demonstra a versatilidade e a profundidade dos cineastas negros. Essa abordagem inovadora não só desafia as expectativas, mas também solidifica o papel crucial da ficção especulativa na construção de um cinema mais inclusivo, representativo e artisticamente vibrante, projetando futuros e passados com novas luzes e interpretações.

Impacto e relevância cultural

A Curta Mostra Especial – Ficção Especulativa no Cinema Negro Brasileiro transcende a simples exibição de filmes; ela representa um marco cultural significativo. Ao dar visibilidade a produções que ousadamente se afastam do realismo para explorar o fantástico, o sobrenatural e o futurista, o evento reafirma a capacidade do cinema negro de inovar e de expandir os horizontes da narrativa cinematográfica nacional. Ele não apenas celebra a criatividade e a resiliência de cineastas que, muitas vezes, operam em contextos de maior desafio, mas também oferece ao público a oportunidade de engajar-se com histórias que desafiam preconceitos e promovem uma compreensão mais profunda da diversidade humana. A mostra é um testemunho vibrante de que a imaginação é uma ferramenta potente para a transformação social e para a construção de um futuro mais equitativo no cinema e na sociedade.

Perguntas frequentes

Qual é o principal objetivo da mostra?
O principal objetivo da mostra é dar visibilidade e celebrar o cinema negro brasileiro que explora gêneros como fantasia, horror, ficção científica e afrofuturismo, rompendo com narrativas realistas e propondo novas representações da identidade e do futuro.

Quais gêneros cinematográficos serão abordados nos filmes?
Os filmes abordam uma vasta gama de gêneros, incluindo fantasia, horror, ficção científica, afrofuturismo, experimentalismo, romance e musical.

Quem é a curadora e qual a base de sua pesquisa?
A curadora é Kariny Martins, pesquisadora especializada em cinema negro. Sua curadoria é baseada em suas pesquisas reunidas no livro “Ficção Especulativa no Cinema Negro Brasileiro”, lançado em 2023.

Todos os filmes são curtas-metragens?
Sim, a mostra é dedicada a curtas-metragens, com cinco produções realizadas entre 2020 e 2025.

Onde e quando posso assistir à mostra?
A Curta Mostra Especial será realizada no Teatro Goiânia, no domingo, 11 de outubro de 2026, com início às 15h.

Não perca a chance de mergulhar nesses universos criativos e expandir sua visão sobre o cinema brasileiro. Garanta sua presença no Teatro Goiânia e apoie a diversidade e a inovação na arte!

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