quinta-feira, julho 2, 2026
InícioTecnologiaMilhões no Brasil sem internet e celular: quem são os excluídos digitais?

Milhões no Brasil sem internet e celular: quem são os excluídos digitais?

Em um cenário global cada vez mais interconectado, a persistência da exclusão digital no Brasil representa um desafio significativo para o desenvolvimento social e econômico do país. Dados recentes apontam que, em um período de três meses de 2025, cerca de 17,7 milhões de pessoas com dez anos ou mais não utilizaram a internet, e impressionantes 19,1 milhões não possuíam um aparelho de telefone celular. Estes números alarmantes revelam uma lacuna profunda no acesso à tecnologia e à informação, impactando diretamente a vida de milhões de brasileiros. Compreender quem são esses indivíduos e as barreiras que enfrentam é crucial para formular políticas públicas eficazes e promover uma inclusão mais ampla e equitativa no universo digital.

A face da exclusão digital no Brasil

A desconexão digital no Brasil não é um fenômeno aleatório, mas sim um reflexo de desigualdades estruturais que se manifestam em diferentes camadas da sociedade. Ao analisar o perfil das milhões de pessoas que vivem à margem da era digital, é possível identificar padrões claros que apontam para desafios específicos e demandas por soluções direcionadas.

O perfil dos não-usuários de internet

Os 17,7 milhões de brasileiros que não acessaram a internet nos últimos meses de 2025 geralmente compartilham características socioeconômicas e demográficas que os tornam mais vulneráveis à exclusão. Entre os grupos mais afetados, destacam-se os idosos, para quem a tecnologia pode ser um fator de intimidação ou simplesmente não foi incorporada em suas rotinas ao longo da vida. Muitas vezes, a falta de familiaridade e o custo dos equipamentos e planos de dados representam barreiras intransponíveis.

Geograficamente, a exclusão é mais acentuada em áreas rurais e em regiões com menor infraestrutura, como algumas localidades das regiões Norte e Nordeste. Nestes locais, a ausência de cobertura de rede, seja fixa ou móvel, é um obstáculo físico. A baixa escolaridade e a renda familiar limitada também são fatores preponderantes; pessoas com menos anos de estudo ou em faixas de menor rendimento têm menos acesso a dispositivos, menos familiaridade com a navegação e menor percepção da utilidade da internet para suas vidas cotidianas, focando em necessidades básicas.

A realidade de quem vive sem celular

Ainda mais surpreendente é o contingente de 19,1 milhões de pessoas que não possuem um aparelho de telefone celular. Embora haja uma sobreposição com o grupo dos não-usuários de internet, este número sugere uma camada ainda mais profunda de desconexão. Para muitos, a ausência de um celular não se limita apenas à falta de acesso à internet, mas também à capacidade de realizar chamadas, receber mensagens ou utilizar aplicativos essenciais para a vida moderna.

As razões para a falta de um telefone celular são multifacetadas. O custo de aquisição do aparelho, mesmo os modelos mais básicos, pode ser proibitivo para famílias de baixa renda. Além disso, os gastos com créditos ou planos pós-pagos representam uma despesa contínua que muitos não podem arcar. Em algumas comunidades, a percepção de falta de necessidade ou, ironicamente, preocupações com segurança (roubos) podem dissuadir a posse de um aparelho. Para outros, especialmente os mais velhos, a complexidade de operar um smartphone ou mesmo um celular mais simples é um desincentivo.

Impactos e desafios da desconexão

A falta de acesso à internet e a dispositivos móveis impõe uma série de limitações significativas, moldando a forma como milhões de brasileiros interagem com o mundo, acessam serviços e participam da sociedade. As consequências da desconexão vão além da mera conveniência, tocando em aspectos fundamentais da cidadania e do desenvolvimento individual.

Barreiras ao acesso

As barreiras que impedem o acesso à internet e à telefonia móvel no Brasil são complexas e interligadas. A infraestrutura inadequada é um dos principais entraves, especialmente em áreas remotas e rurais, onde a cobertura de fibra óptica ou redes móveis de qualidade é inexistente ou precária. A qualidade da conexão, quando disponível, muitas vezes é insuficiente para as demandas de uso, dificultando atividades como videochamadas ou acesso a plataformas de ensino.

O custo é outra barreira substancial. Os preços de smartphones e, em especial, dos planos de dados no Brasil ainda são elevados para uma parcela considerável da população. A falta de subsídios ou programas de acesso gratuito/acessível agrava essa situação. Além disso, o letramento digital, ou seja, a capacidade de usar e compreender as ferramentas digitais, é fundamental. Muitos não sabem como operar um computador ou um smartphone, como navegar na internet de forma segura ou como aproveitar os recursos oferecidos, transformando a falta de conhecimento em uma barreira tão impeditiva quanto a falta de acesso físico.

Consequências sociais e econômicas

As consequências da exclusão digital são vastas e impactam diversas esferas da vida. No campo da informação, milhões de pessoas ficam à margem das notícias, debates e oportunidades divulgadas online. Isso limita a participação cidadã, a formação de opinião e o acesso a conhecimentos essenciais. No setor de serviços públicos, a digitalização crescente de processos dificulta o acesso a programas sociais, agendamentos médicos, serviços de educação a distância e informações judiciais, criando uma “cidadania incompleta” para os desconectados.

Economicamente, a exclusão digital restringe o acesso a oportunidades de trabalho, especialmente em um mercado cada vez mais dependente de habilidades digitais e de plataformas online para candidaturas e comunicação. Pequenos negócios em áreas sem acesso à internet perdem a chance de expandir seus mercados, promover seus produtos e integrar-se a cadeias produtivas mais amplas. Socialmente, a falta de conectividade pode levar ao isolamento, dificultando a comunicação com familiares distantes, a participação em redes sociais e o acesso a entretenimento e cultura digital, aprofundando as desigualdades e a marginalização.

Estratégias para a inclusão digital

Combater a exclusão digital exige uma abordagem multifacetada e o engajamento de diversos atores. Governos, setor privado e sociedade civil precisam atuar em conjunto para derrubar as barreiras de acesso e garantir que a tecnologia seja uma ferramenta de inclusão, não de segregação. Entre as estratégias essenciais, destacam-se a expansão da infraestrutura de conectividade, com investimentos em banda larga fixa e móvel de qualidade, especialmente em áreas rurais e remotas. Programas de subsídio e tarifas sociais para planos de internet e aparelhos celulares podem tornar o acesso mais democrático.

Além disso, é fundamental investir em programas de letramento digital abrangentes, que ofereçam capacitação para pessoas de todas as idades, focando não apenas no uso básico, mas também na segurança online e na exploração das oportunidades que a internet oferece. Escolas, bibliotecas e centros comunitários podem se tornar polos de inclusão, oferecendo acesso gratuito e treinamentos. A inovação em serviços digitais, tornando-os mais simples, intuitivos e acessíveis para diferentes níveis de familiaridade tecnológica, também desempenha um papel importante. Acreditamos que, ao unir esforços e implementar políticas públicas eficazes, será possível reduzir significativamente o número de brasileiros à margem da revolução digital.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas não usam internet no Brasil?
Cerca de 17,7 milhões de brasileiros com dez anos ou mais não utilizaram a internet em um período de três meses, conforme dados apurados para 2025.

Qual o perfil predominante das pessoas sem acesso à internet e celular no Brasil?
Geralmente, o perfil inclui idosos, pessoas com baixa renda, baixa escolaridade e residentes de áreas rurais ou regiões com menor infraestrutura de conectividade.

Quais são as principais barreiras para a inclusão digital no país?
As principais barreiras são a falta de infraestrutura de rede em muitas regiões, o alto custo de aparelhos e planos de dados, e a ausência de letramento digital para uma parcela significativa da população.

Por que é importante combater a exclusão digital?
É crucial combater a exclusão digital para garantir que todos os cidadãos tenham acesso a informações, serviços públicos essenciais, oportunidades de trabalho, educação e participação plena na sociedade e na economia digital.

Para aprofundar seu conhecimento sobre o impacto da tecnologia na sociedade brasileira e as iniciativas de inclusão, explore outras notícias e análises sobre o tema.

CONTEÚDO RELACIONADO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -
Google search engine

Mais Populares

Comentários Recentes