InícioGoiásEmpresário Proibido de Oferecer Benefícios a Eleitores Acompanha Apuração com Flávio Bolsonaro

Empresário Proibido de Oferecer Benefícios a Eleitores Acompanha Apuração com Flávio Bolsonaro

O empresário Leandro Batista Nóbrega, cujo nome ganhou os noticiários após ser judicialmente impedido de oferecer uma viagem com picanha e cerveja a eleitores petistas no dia da eleição, foi visto acompanhando a apuração do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 em Brasília. Ele estava na companhia de Flávio Bolsonaro e outros apoiadores do Partido Liberal (PL), marcando mais um capítulo em sua controversa trajetória de envolvimento político-partidário.

A Polêmica Oferta e a Rápida Intervenção Judicial

A controvérsia central eclodiu quando Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás, divulgou um vídeo nas redes sociais oferecendo mil vagas para uma viagem gratuita a Caldas Novas, no sul de Goiás, destinada a eleitores de Goiânia que se declarassem petistas. O pacote, que incluía transporte, hospedagem, alimentação completa, cerveja e picanha, visava, segundo o próprio empresário, “levar esse pessoal que vota em Goiânia e que é petista para Caldas Novas esse final de semana”, no dia 25 de outubro, data do segundo turno das eleições.

A oferta não tardou a atrair a atenção do Ministério Público do Trabalho (MPT), que apresentou uma denúncia. Consequentemente, o juiz Carlos Alberto Begalles, da Justiça do Trabalho da 18ª Região (TRT-18), agiu com celeridade e proibiu o empresário de efetivar a proposta. A decisão, proferida no sábado (24), baseou-se na compreensão de que tal conduta representaria uma grave violação aos direitos fundamentais e poderia configurar assédio eleitoral. O magistrado ressaltou que a Constituição Federal garante o voto direto e secreto, e o Código Eleitoral criminaliza ações que visem impedir o exercício do voto ou coagir eleitores a votar em determinado candidato ou partido. Em caso de descumprimento, o empresário estaria sujeito a uma multa de R$ 100 mil por trabalhador encontrado no evento.

Apuração Eleitoral em Brasília e Reação à Proibição

No dia seguinte à eleição, o foco de Leandro Batista Nóbrega se deslocou para Brasília, onde ele acompanhou a apuração dos votos ao lado de Flávio Bolsonaro e outros correligionários do PL. Um vídeo postado pelo próprio empresário nas redes sociais mostrou a movimentação em uma estrutura montada pelo partido no Lago Sul, evidenciando sua proximidade com figuras políticas da direita.

Antes de se juntar ao grupo, Leandro Batista havia expressado sua insatisfação com a decisão judicial que vetou sua oferta. Em outra publicação nas redes, ele compartilhou uma imagem da determinação judicial, acompanhada da legenda: “A Justiça é rápida quando é para punir alguém da direita”. Este posicionamento reforça a visão do empresário de que a medida judicial teria sido motivada por seu alinhamento político, e não apenas pela conformidade com a legislação eleitoral.

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi disputado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), com a vitória sendo concedida a Lula, que obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de seu oponente.

Um Histórico de Controvérsias e Confrontos Político-Judiciais

A atual proibição judicial não é o primeiro embate de Leandro Batista Nóbrega com a Justiça por questões envolvendo posicionamento político em seu negócio. Em 2025, o empresário foi alvo de uma ação do Ministério Público, movida após denúncia do deputado estadual Mauro Rubem (PT), que resultou na obrigatoriedade de retirar um cartaz de seu açougue em Goiânia com a frase “Petista aqui não é bem-vindo”.

Em resposta à determinação judicial, o Frigorífico Goiás substituiu o cartaz por uma nova mensagem: “Ladrão aqui não é bem-vindo. Quem apoia ladrão também não”. À época, a defesa da empresa, por meio de seu representante Carlos Olivo, alegou que o novo anúncio cumpria a decisão judicial e não possuía conotação política ou discriminatória, buscando desassociá-lo das controvérsias anteriores. Esses episódios sucessivos sublinham um padrão de manifestações políticas explícitas por parte do empresário, que frequentemente escalam para intervenções judiciais.

Reflexões sobre Liberdade de Expressão e Legislação Eleitoral

O caso de Leandro Batista Nóbrega levanta importantes discussões sobre os limites da liberdade de expressão de empresários em ambientes eleitorais e a aplicação da legislação para coibir práticas que possam configurar assédio ou coação. A atuação da Justiça do Trabalho, em particular, evidencia a preocupação em garantir a integridade do processo democrático e a autonomia do voto, protegendo os eleitores de pressões indevidas, sejam elas econômicas ou sociais. A recorrência de tais incidentes no histórico do empresário sugere uma linha tênue entre a manifestação de opinião pessoal e o uso de sua posição empresarial para influenciar o pleito, mantendo o empresário e suas ações sob constante escrutínio judicial e público.

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