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Síndico vira réu por homicídio qualificado de corretora em Caldas Novas

A justiça de Caldas Novas, no sul de Goiás, aceitou a denúncia e tornou o síndico Cleber Rosa réu pelo homicídio qualificado da corretora de imóveis Daiane Alves. A decisão, proferida pela 1ª Vara Criminal da comarca, solidifica as acusações contra Cleber, cuja prisão temporária foi convertida em preventiva pela juíza Vaneska Baruki. Ele responderá por três qualificadoras que podem agravar significativamente sua pena: crime praticado por motivo torpe, de forma cruel e mediante emboscada. A investigação policial aponta que a motivação do crime estaria ligada a desavenças sobre os direitos de Daiane de atuar e utilizar as áreas comuns do condomínio.

Acusação formal e gravidade das qualificadoras

A formalização da denúncia contra Cleber Rosa marca um passo decisivo no processo judicial que apura a morte da corretora Daiane Alves. As provas colhidas, segundo a análise judicial, são consideradas claras e coerentes, revelando uma conduta de “brutalidade contrastante com o mais elementar sentimento de piedade”. Essa avaliação da juíza Vaneska Baruki fundamentou a conversão da prisão de Cleber, de temporária para preventiva, garantindo que ele permaneça detido enquanto o caso avança para o julgamento.

A decisão judicial e os detalhes da prisão

A aceitação da denúncia pela 1ª Vara Criminal de Caldas Novas implica que o Ministério Público apresentou elementos suficientes para que o síndico Cleber Rosa seja formalmente acusado e submetido a julgamento. As qualificadoras aplicadas ao homicídio – motivo torpe, crueldade e emboscada – indicam a gravidade da ação e a premeditação envolvida. O motivo torpe se refere a uma razão vil ou abjeta, enquanto a crueldade aponta para a intenção de causar sofrimento desnecessário à vítima. A emboscada, por sua vez, denota que o ataque foi planejado e executado de forma a surpreender a vítima, sem que ela tivesse chance de defesa. Essas qualificadoras, se confirmadas, podem resultar em uma pena consideravelmente maior do que a de um homicídio simples.

O motivo do crime, segundo a investigação

A investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás revelou que a principal motivação por trás do assassinato da corretora Daiane Alves seria um acirrado conflito sobre seus direitos no condomínio onde residia. Daiane havia obtido judicialmente o reconhecimento do seu direito de utilizar as áreas comuns do edifício e de exercer sua profissão de corretora de imóveis nas dependências do local. Essa vitória legal, que permitia à corretora administrar as locações de apartamentos da família sem impedimentos, teria sido o estopim para a escalada da tensão, culminando no trágico desfecho. Os desentendimentos entre o síndico e a corretora eram de longa data e amplamente conhecidos, conforme demonstrado por um histórico de boletins de ocorrência.

O desenrolar da emboscada e a confissão

O crime que vitimou Daiane Alves Souza de Oliveira, natural de Uberlândia (MG) e residente em Caldas Novas há dois anos para gerenciar as propriedades de sua família, ocorreu de maneira brutal e premeditada. A ação, descrita como uma emboscada, foi capturada em parte pela própria vítima, fornecendo evidências cruciais para a elucidação do caso e a subsequente confissão do síndico.

O dia do crime e a recuperação das provas

O fatídico evento se deu em 17 de dezembro de 2025. Naquela noite, um dos imóveis sob a gestão de Daiane ficou sem energia elétrica. A corretora desceu ao subsolo do prédio, onde estão localizados os quadros de luz, para verificar o ocorrido. Momentos antes de seu desaparecimento, Daiane enviou um vídeo a uma amiga, registrando sua descida no elevador. O que a corretora não sabia é que estava sendo atraída para uma armadilha. Ao sair do elevador no subsolo, ela foi surpreendida com uma pancada na cabeça. O vídeo recuperado pela polícia registrou esses momentos finais antes do ataque, tornando-se uma prova irrefutável. Segundo a perícia da Polícia Científica, Daiane foi alvejada na região da mandíbula por disparos de uma pistola .380 semiautomática. Uma das balas ficou alojada na cabeça, enquanto outra atravessou e saiu pelo olho esquerdo, evidenciando a violência da agressão. O corpo da corretora foi posteriormente encontrado em uma área de mata, a aproximadamente 15 quilômetros de Caldas Novas.

A confissão do síndico e a premeditação

A investigação policial, após cerca de 40 dias de buscas e diligências, levou à prisão do síndico Cleber Rosa. Confrontado com as evidências, incluindo o vídeo gravado pela vítima e outras provas circunstanciais, o síndico confessou ser o autor do assassinato. As autoridades concluíram que o crime foi premeditado, e a emboscada foi meticulosamente planejada por Cleber para atrair Daiane ao subsolo, onde ela seria atacada sem possibilidade de defesa. A confissão do síndico, aliada ao conjunto probatório, reforçou a solidez da acusação de homicídio qualificado, destacando a natureza fria e calculada do ato.

Histórico de conflitos e a vitória judicial da vítima

A relação entre a corretora Daiane Alves e o síndico Cleber Rosa era marcada por um longo e conturbado histórico de desavenças, que se estendia por meses antes do assassinato. Essa série de conflitos é crucial para compreender a motivação e a intensidade dos atos que culminaram na morte de Daiane.

Boletins de ocorrência e ameaças constantes

A complexa dinâmica entre Cleber e Daiane resultou em inúmeros boletins de ocorrência, formalizando as denúncias da corretora contra o síndico. A primeira comunicação oficial de Daiane à Polícia Civil data de 29 de dezembro de 2024, quando ela relatou estar sofrendo ameaças por parte de Cleber. A partir desse registro inicial, uma sequência de novas denúncias foi apresentada, abrangendo uma ampla gama de crimes, incluindo ameaça, perseguição, lesão corporal, violação de domicílio, constrangimento ilegal, difamação e injúria. O último comunicado foi feito em 16 de dezembro de 2025, apenas um dia antes do crime. Nessa ocasião, a vítima informou às autoridades que três dos sete apartamentos de sua propriedade estavam com o fornecimento de energia elétrica cortado ou desligado no padrão, o que, em retrospectiva, pode ser interpretado como um ato final de retaliação ou um artifício para atraí-la ao subsolo.

O reconhecimento dos direitos de Daiane na Justiça

Diante do constante assédio e das restrições impostas pelo síndico e pela administração do condomínio Golden Thermas Residence – Bloco Amethyst Tower, Daiane Alves buscou amparo na Justiça. Ela ingressou com uma ação contra o condomínio, pleiteando o reconhecimento de abuso por parte da administração e a reversão da proibição que a impedia de exercer sua profissão de corretora e de circular livremente pelas dependências do prédio. A Justiça acolheu o pedido de Daiane, emitindo uma decisão favorável que reconhecia seu direito de atuar profissionalmente, utilizar as áreas comuns do edifício e circular sem impedimentos no condomínio. O processo foi definitivamente encerrado em 10 de dezembro de 2025, apenas sete dias antes do trágico desaparecimento da corretora, o que reforça a hipótese de que a decisão judicial favorável à vítima exacerbou as tensões já existentes e pode ter sido um catalisador para a ação fatal.

Consequências e desdobramentos do caso

O caso de Daiane Alves chocou a comunidade e expôs a gravidade de conflitos condominiais que escalam para a violência extrema. Com Cleber Rosa formalmente como réu e a prisão preventiva decretada, o processo segue para as próximas etapas judiciais. A defesa do síndico, procurada para se manifestar sobre as acusações, não retornou até a última atualização dos fatos. O julgamento promete ser um marco na história jurídica de Caldas Novas, com as qualificadoras de motivo torpe, crueldade e emboscada pesando significativamente sobre o futuro do acusado. A busca por justiça para Daiane Alves continua, enquanto a comunidade aguarda o desenrolar completo dos fatos e a decisão final do tribunal.

FAQ

1. Quem é o síndico acusado no caso?
O síndico acusado é Cleber Rosa, formalmente indiciado e agora réu pelo homicídio qualificado da corretora de imóveis Daiane Alves em Caldas Novas.

2. Qual o motivo apontado para o crime?
A investigação policial aponta que a motivação do crime foi a disputa por direitos condominiais. Daiane Alves havia obtido judicialmente o direito de usar as áreas comuns e de trabalhar como corretora no condomínio, o que teria gerado um conflito com o síndico Cleber Rosa.

3. Quais são as qualificadoras do homicídio?
O síndico Cleber Rosa responderá por homicídio qualificado por três qualificadoras: crime praticado por motivo torpe, de forma cruel e mediante emboscada.

4. Como a polícia conseguiu provas sobre o crime?
Uma das provas cruciais obtidas pela polícia foi um vídeo gravado pela própria corretora Daiane Alves momentos antes de ser atacada no subsolo do prédio, além da confissão do síndico após 40 dias de investigação.

Acompanhe as próximas fases deste processo judicial para entender os desdobramentos e a busca por justiça neste complexo caso.

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