O município de Jataí, no sudoeste de Goiás, foi palco de uma tragédia que chocou a comunidade e expôs a brutalidade do feminicídio. A professora Antônia Tomaz Vieira, de 55 anos, foi assassinada a tiros pelo seu ex-marido, Luziano Rosa Parreira, em um crime que demonstra a face mais cruel da violência contra a mulher. Antônia, uma educadora respeitada e querida, estava prestes a viver a alegria de se tornar avó, com o nascimento iminente de seu neto Benício. A notícia de sua morte gerou uma onda de luto e indignação, especialmente entre familiares, amigos e alunos, que agora lamentam a perda de uma mulher que, segundo relatos, apenas desejava recomeçar sua vida após um casamento de 35 anos. Este caso doloroso levanta questões urgentes sobre a segurança feminina e os sinais muitas vezes sutis que antecedem tragédias como esta, evidenciando a necessidade contínua de atenção e combate à violência doméstica.
O trágico adeus de Antônia Tomaz Vieira
Antônia Tomaz Vieira, aos 55 anos, era uma figura inspiradora em Jataí, Goiás. Sua vida dedicada ao ensino de matemática na Escola Estadual Polivalente Dante Mosconi a tornou uma educadora amada e respeitada por gerações de alunos. O carinho e a dedicação que Antônia depositava em sua profissão eram amplamente reconhecidos, com muitos ex-alunos relatando como ela os ensinou a gostar de matemática, transformando o que para muitos era uma disciplina desafiadora em algo prazeroso. Sua partida abrupta, no sábado, 21 de março, deixou um vazio imenso não apenas em sua família, mas em toda a comunidade escolar, que agora tenta compreender a brutalidade de sua perda.
Uma vida dedicada à educação e a dor de um futuro roubado
Além de sua paixão pela educação, Antônia nutria um entusiasmo particular pela chegada de um novo membro à família. Sua nora, Karol Malaquias, está à espera do pequeno Benício, o neto que Antônia foi impedida de conhecer. A alegria da avó antecipada, compartilhada por toda a família, foi brutalmente interrompida. Em desabafos emocionados nas redes sociais, Kamila Malaquias, irmã de Karol e tia do bebê, lamentou a perda do direito do sobrinho de conviver com a avó paterna, uma figura que prometia ser um pilar de amor e sabedoria em sua vida. A dor de Kamila ressoa o sentimento de inúmeras outras famílias que enfrentam a perda de entes queridos para a violência de gênero.
Karol Malaquias, por sua vez, prometeu manter viva a memória de Antônia para Benício, descrevendo-a como uma mulher “forte, íntegra e batalhadora”, cujo legado de qualidades e virtudes seria eternamente contado ao filho. “Seu legado viverá em cada lembrança de todos que tiveram o privilégio de te conhecer e também do Benício, que não teve a sorte de ter você ao lado na vidinha dele, mas vou contar sobre como você era incrível pra ele”, declarou a nora, comovida. A tristeza pela ausência física de Antônia é agravada pela consciência do que foi roubado: a presença e o afeto de uma avó que estava radiante com a perspectiva de amar e cuidar de seu neto. Sua vida, cheia de expectativas e novos capítulos, foi violentamente encerrada antes que pudesse desfrutar plenamente dessa nova fase, deixando um legado de dor e uma profunda lacuna para seus quatro filhos e seus netos já existentes e o que estava por vir.
A cronologia de um crime premeditado
O assassinato de Antônia Tomaz Vieira ocorreu em um cenário de ruptura familiar, culminando em um ato de violência extrema. Após 35 anos de casamento, Antônia havia decidido se separar de Luziano Rosa Parreira, seu ex-marido e pai de seus quatro filhos. A decisão veio após a descoberta de uma traição por parte de Luziano. A professora, segundo familiares, buscava apenas recomeçar sua vida, vislumbrando um futuro de paz e alegria, inclusive com a chegada do neto. O divórcio, um passo formal para essa nova etapa, havia sido assinado em 16 de março, poucos dias antes da tragédia que viria a ceifar sua vida.
A separação, o divórcio e a premeditação do feminicídio
O delegado Marlon Souza Luz, responsável pela investigação da Polícia Civil, revelou detalhes que apontam para a premeditação do crime. No dia do assassinato, Luziano teria ido à casa da avó de Antônia, onde ela estava, com o que parecia ser um ursinho de pelúcia, supostamente para tentar uma reconciliação. No entanto, a dinâmica encontrada no local do crime, com os corpos dispostos e a descoberta de uma carta datada de 17 de março, indicam que o feminicídio, seguido pelo suicídio de Luziano, já vinha sendo planejado meticulosamente. Antônia foi alvejada na cabeça e no tórax, apresentando também lesões nas mãos e nos braços, evidenciando uma tentativa desesperada de defesa contra a agressão. Luziano, após atirar contra a ex-esposa, tirou a própria vida, selando o trágico desfecho.
A investigação inicial da Polícia Civil não apontou indícios de que Antônia sofria violência doméstica de forma contínua. Luziano era, segundo relatos, tido como uma pessoa socialmente pacífica, sem antecedentes criminais. Essa aparente normalidade antes da ruptura torna o crime ainda mais chocante para aqueles que conviviam com o casal e a comunidade em geral. No entanto, a forma como o crime foi executado e a premeditação sugerida pela carta e pela posse da arma, evidenciam uma escalada de comportamento que culminou na tragédia. A polícia também investiga a procedência da arma utilizada, verificando se ela fazia parte do acervo de Luziano, que possuía licença de Caçador, Atirador e Colecionador (CAC). A morte de Antônia ressalta a importância de observar sinais de controle e possessividade que podem não se manifestar como violência física imediata, mas que, em situações de rejeição e não aceitação do fim do relacionamento, podem escalar para desfechos fatais, como o feminicídio.
Impacto na comunidade e legado
A notícia da morte de Antônia Tomaz Vieira reverberou profundamente na comunidade de Jataí e além. Sua dedicação como professora de matemática, sua postura íntegra e sua paixão pela vida deixaram marcas indeléveis em muitas pessoas. Após a tragédia, inúmeras homenagens inundaram as redes sociais e os espaços de convivência, transformando o luto em um clamor por justiça e por um basta à violência contra a mulher.
Homenagens de alunos e colegas
Alunos, ex-alunos, colegas de trabalho e amigos expressaram sua dor e seu carinho pela professora. Mensagens emocionadas descreviam Antônia como uma “excelente pessoa”, uma educadora que ia além da sala de aula, ensinando com carinho e respeito. Uma colega de trabalho, que foi aluna de Antônia na Escola Estadual Polivalente Dante Mosconi e se inspirou nela para seguir a carreira, destacou o quanto a professora era dedicada e a importância de seu legado: “Sabe aquelas profs que todo mundo merece ter, que tratam seus alunos com carinho e respeito, fora o quanto ela era dedicada a nos ensinar!? Foi ela que me ensinou a gostar de matemática! Depois de anos me formei e nos tornamos colegas de trabalho!”. Essas palavras ecoam o sentimento de muitos que tiveram o privilégio de conhecê-la, reforçando a imagem de uma mulher cuja influência positiva se estendia muito além dos muros da escola. O legado de Antônia, marcado pela educação, pelo carinho e pela luta por um recomeço, agora se torna um símbolo doloroso da urgência de combater o feminicídio e proteger as mulheres em suas escolhas e desejos de liberdade. Sua memória será eternamente honrada por aqueles que a amaram e por todos que buscam um mundo mais seguro e justo, onde tragédias como esta não se repitam.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que se sabe sobre o motivo do crime?
O crime ocorreu após a separação de Antônia Tomaz Vieira e Luziano Rosa Parreira, desencadeada pela descoberta de uma traição por parte dele. Antônia havia assinado o divórcio poucos dias antes do assassinato, e o ex-marido não aceitava o fim do relacionamento, o que o levou a cometer o feminicídio e, em seguida, o suicídio.
Antônia sofria violência doméstica anteriormente?
Segundo a investigação inicial da Polícia Civil, não havia indícios prévios de que Antônia sofria violência doméstica contínua. Luziano era descrito como socialmente pacífico e não possuía antecedentes criminais, o que tornou o desfecho ainda mais surpreendente e trágico para a comunidade. A aparente ausência de violência física anterior, contudo, não descarta a existência de outras formas de controle e abuso.
Qual a situação da arma utilizada no crime?
Luziano Rosa Parreira possuía licença de Caçador, Atirador e Colecionador (CAC). A Polícia Civil está investigando se a arma usada no assassinato de Antônia fazia parte do acervo legal do ex-marido, como parte da apuração completa do caso e para entender as circunstâncias do acesso e uso do armamento.
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