Em meio a discussões sobre a transição energética e a crescente valorização do mercado de carbono, comunidades tradicionais relatam se sentir lesadas em acordos que visam a preservação de territórios e a compra de créditos de emissão. Representantes alertam para a necessidade de inclusão dessas populações nas decisões sobre o futuro climático, especialmente durante eventos como a COP30, que será sediada em Belém.
Natália Nascimento, da Associação dos Moradores do Baixo Riozinho, no Amazonas, descreve acordos onde ribeirinhos perdem suas terras por não compreenderem os contratos firmados. Segundo ela, empresas prometem mais do que podem cumprir, impactando negativamente o modo de vida da população. O caso da Asmobri foi levado ao Ministério Público Federal e aguarda decisão judicial.
Alexandra Montgomery, da Anistia Internacional Brasil, enfatiza que as populações mais vulneráveis são frequentemente excluídas dos espaços de tomada de decisão, como a COP30. Ela aponta que o Brasil tem mais de 16 milhões de pessoas vivendo em favelas e comunidades urbanas, sendo Belém a cidade com a maior proporção de habitantes nessas condições.
Guilherme Carvalho, da ONG Fase, expressa preocupação com os impactos da COP30 em Belém, alertando para o racismo ambiental e a gourmetização dos conhecimentos tradicionais. Ele critica o aumento dos preços na capital paraense, afetando tanto os participantes do evento quanto a população local.
Apesar das críticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a escolha de Belém como sede da COP30, afirmando que o evento é uma oportunidade de mostrar a Amazônia ao mundo. Ele garante que o governo federal está investindo cerca de R$ 6 bilhões na cidade e que as obras realizadas serão um legado para a população local.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



