O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), realizou um encontro estratégico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última terça-feira, em Brasília. A pauta central da reunião foi a discussão sobre a revogação de norma que atualmente permite o aumento do número de passageiros no Aeroporto Santos Dumont. A iniciativa do prefeito carioca visa reequilibrar o fluxo aéreo na capital fluminense, com um foco especial na revitalização do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, que tem enfrentado subutilização significativa nos últimos anos. A movimentação política reflete a urgência em buscar soluções para um dilema que afeta diretamente a infraestrutura, a economia e o turismo da cidade, com implicações tanto locais quanto nacionais.
O encontro estratégico em Brasília
A reunião entre Eduardo Paes e o presidente Lula, realizada na capital federal, sublinha a importância da questão para a administração municipal do Rio de Janeiro. Para Paes, a manutenção da norma atual que flexibiliza o limite de operações no Santos Dumont tem sido um fator crucial para o esvaziamento do Galeão, gerando desequilíbrio e prejuízos ao desenvolvimento econômico da região. O prefeito tem argumentado consistentemente que o Rio de Janeiro precisa de um aeroporto internacional robusto para atrair investimentos, impulsionar o turismo e consolidar sua posição como um hub logístico na América do Sul. A conversa com o presidente Lula representa um passo fundamental na busca por apoio federal para essa pauta.
Os argumentos do prefeito Eduardo Paes
Eduardo Paes apresentou ao presidente Lula um panorama detalhado dos impactos da atual política de distribuição de voos entre os dois principais aeroportos do Rio. Segundo o prefeito, o Santos Dumont, apesar de sua localização privilegiada e conveniência para voos domésticos e de curta distância, possui limitações estruturais e de capacidade que o impedem de absorver um volume excessivo de tráfego sem gerar congestionamentos e desafios operacionais. A sobrecarga no aeroporto, cercado pela área urbana, também levanta preocupações ambientais e de segurança para os moradores próximos. Paes defende que a concentração de voos no Santos Dumont, especialmente os que poderiam ser atendidos pelo Galeão, desvia recursos e passageiros de um terminal com vasta capacidade ociosa e estrutura para receber voos de longa distância e grandes aeronaves. A revitalização do Galeão é vista como essencial para a geração de empregos, o aumento da arrecadação de impostos e a atração de novas companhias aéreas e rotas internacionais, elementos vitais para a economia carioca.
O impacto da norma atual no setor aéreo carioca
A norma em questão, implementada em períodos recentes, permitiu uma flexibilização nas regras de operação do Aeroporto Santos Dumont, expandindo o número de slots (horários de pouso e decolagem) e, consequentemente, a capacidade de passageiros. Embora tenha sido vista por alguns como uma medida para aumentar a oferta e a competitividade, seus críticos, incluindo o prefeito Paes, apontam que ela aprofundou a crise do Galeão. Companhias aéreas, buscando a conveniência de um aeroporto mais central, priorizaram o Santos Dumont, mesmo para rotas que antes partiam do Galeão, levando à drástica redução do tráfego internacional e doméstico no aeroporto de maior porte.
A situação do aeroporto internacional do Galeão
O Aeroporto Internacional Tom Jobim, ou Galeão, é um dos maiores e mais modernos do Brasil, com capacidade para atender a dezenas de milhões de passageiros por ano. No entanto, sua movimentação atual está muito abaixo de seu potencial. A concessionária que o administra tem enfrentado desafios financeiros e operacionais devido à baixa demanda, com companhias aéreas transferindo voos e reduzindo frequências. A ociosidade do Galeão não apenas representa uma perda econômica para a cidade e o estado, mas também uma subutilização de um ativo estratégico para o país. Um aeroporto internacional vibrante é crucial para o turismo, especialmente com grandes eventos se aproximando, e para o desenvolvimento de cadeias logísticas de exportação e importação. A revogação da norma que favorece o Santos Dumont é vista como a principal alavanca para redirecionar o fluxo e reverter esse cenário de estagnação no Galeão, possibilitando a criação de novas rotas, o aumento de frequências e a melhoria da experiência para passageiros e operadores.
Cenários futuros e a expectativa de decisão
A discussão sobre a revogação da norma é complexa e envolve diversos atores, incluindo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o Ministério de Portos e Aeroportos e as próprias companhias aéreas. A decisão final de Lula, caso ele opte pela revogação, dependerá de análises técnicas e econômicas aprofundadas, além de considerações políticas. Para o governo federal, é fundamental equilibrar os interesses do Rio de Janeiro com a necessidade de manter a competitividade e a eficiência do setor aéreo nacional.
A expectativa é que, se a revogação for implementada, haja um redirecionamento gradual dos voos de maior porte e de longa distância para o Galeão, permitindo que o Santos Dumont se concentre em sua vocação de hub regional para voos curtos e executivos. Esse reequilíbrio promete não apenas aliviar a pressão sobre o Santos Dumont, mas também injetar nova vida no Galeão, transformando-o novamente em um portão de entrada e saída vibrante para o Brasil. A medida seria um sinal claro do compromisso do governo federal e municipal em revitalizar a economia fluminense e otimizar a infraestrutura aeroportuária do país. A decisão de Lula será aguardada com grande expectativa por todos os envolvidos no setor de aviação e pela população carioca.
FAQ
1. O que é a norma de passageiros no Santos Dumont que Paes quer revogar?
É uma regulamentação que flexibiliza as regras de operação do Aeroporto Santos Dumont, permitindo um aumento no número de voos e passageiros. Essa norma teria contribuído para a concentração do tráfego aéreo no Santos Dumont em detrimento do Aeroporto Internacional do Galeão.
2. Por que o prefeito Eduardo Paes defende a revogação dessa norma?
Eduardo Paes argumenta que a norma atual prejudica a economia do Rio de Janeiro ao esvaziar o Galeão, um aeroporto internacional com grande capacidade ociosa e infraestrutura para receber grandes volumes de passageiros e voos de longa distância. A revogação visa reequilibrar o fluxo aéreo, revitalizar o Galeão e impulsionar o turismo e a economia da cidade.
3. Qual seria o impacto da revogação para os aeroportos do Rio de Janeiro?
A revogação da norma poderia levar a um redirecionamento de voos, especialmente os de maior porte e internacionais, do Santos Dumont para o Galeão. Isso aliviaria a sobrecarga no Santos Dumont e potencialmente revitalizaria o Galeão, aumentando sua movimentação, atraindo novas companhias aéreas e gerando empregos e investimentos para a região.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta importante discussão que pode redefinir o futuro da aviação e da economia no Rio de Janeiro.



