terça-feira, janeiro 27, 2026
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Livro Revela Legado de Insley Pacheco, Pioneiro da Fotografia no Brasil Imperial

Em meados de 1855, no Rio de Janeiro do período imperial, um jovem fotógrafo português, Joaquim José Insley Pacheco, instalava seu estúdio na Rua do Ouvidor. Mais do que um negócio, ele fundava uma nova maneira de retratar o Brasil.

Mais de um século depois, sua obra ressurge em “O Espelho de Papel – A fotografia de Joaquim Insley Pacheco na coleção do IHGB”, um livro de 160 páginas com texto do historiador Daniel Rebouças e apresentação de Pedro Corrêa do Lago. A publicação, fruto de uma parceria com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, reúne mais de 400 imagens, representando um álbum do século XIX repleto de memórias, luz e papel.

“A coleção do IHGB guarda parte do imenso legado de Insley Pacheco para a fotografia no Brasil”, observa Rebouças, que pesquisou jornais, arquivos e retratos para reconstituir a trajetória do fotógrafo que transformou o retrato em arte. A pesquisa revelou que Insley introduziu no país inovações técnicas da época, como a carte de visite e fotografias sobre porcelana, vidro e marfim.

Órfão ainda jovem, Insley Pacheco migrou de Portugal para o Brasil, passando por Fortaleza, São Luís e Recife antes de se estabelecer no Rio de Janeiro. Em Nova York, aprendeu com Mathew Brady, o fotógrafo da Guerra Civil Americana, a importância do retrato como vitrine e demonstração de poder. Ao retornar ao Brasil, adotou o nome profissional “Insley” e inaugurou seu estúdio na Rua do Ouvidor, onde retratou a elite, políticos, artistas e senhoras.

Em 1857, Pacheco foi nomeado fotógrafo oficial da Casa Imperial. D. Pedro II reconhecia em Pacheco um artista capaz de traduzir o espírito do tempo, transformando a fotografia em um espelho social.

Além de fotógrafo, Pacheco também era pintor e aquarelista, amigo de artistas como Arsênio da Silva e Antônio Parreiras.

A vida de Insley Pacheco foi marcada por altos e baixos. Viúvo desde 1877 e tendo perdido o filho em 1895, ele continuou a criar, enviando pinturas e aquarelas para exposições no início do século XX.

Em 1893, representou o Brasil na Exposição Universal de Chicago com uma mostra de daguerreótipos e retratos. Em 1900, participou das celebrações dos 400 anos do “descobrimento”. Faleceu em 1912.

Daniel Rebouças afirma que estudar Insley Pacheco é revisitar a gênese da cultura visual brasileira. O livro “O Espelho de Papel” oferece o rosto de um artista e o retrato de um país em formação, que aprendeu a se ver através da fotografia.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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