A justiça goiana decidiu pela manutenção do júri popular do ex-noivo Luís Felipe Silva Lima, acusado de matar a advogada Jordana Fraga Martins David e de tentar simular um suicídio na cidade de Itaberaí, região noroeste de Goiás. O crime, classificado como feminicídio pela promotoria, chocou a comunidade local em outubro de 2018. A advogada Jordana Fraga, então com 22 anos, foi encontrada morta com um disparo na cabeça. A decisão judicial, que confirma o envio do caso para o Tribunal do Júri, representa um passo crucial para o desfecho do processo e atende à expectativa de justiça manifestada pela família da vítima, que aguarda por reparação há mais de cinco anos.
Manutenção do júri popular
A defesa de Luís Felipe Silva Lima havia recorrido da decisão inicial que o submetia ao Tribunal do Júri, buscando evitar o julgamento popular sob a alegação de inocência. Contudo, em uma sessão realizada pela Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), o recurso foi negado por unanimidade. A decisão foi relatada pelo juiz substituto em segundo grau, Hamilton Gomes Carneiro, reforçando o entendimento de que há elementos suficientes para que o caso seja apreciado por um conselho de sentença.
O recurso da defesa
O agropcuarista Luís Felipe aguarda o julgamento em liberdade desde o início do processo. A estratégia da defesa era contestar a necessidade do júri popular, argumentando que as provas não sustentariam a acusação de homicídio qualificado por feminicídio e tentativa de simulação de suicídio. No entanto, o colegiado do TJGO analisou as evidências apresentadas pela promotoria e entendeu que a materialidade do crime e os indícios de autoria justificam que a sociedade, por meio de seus representantes no júri, delibere sobre a culpa ou inocência do acusado. Esta etapa processual é fundamental, pois o Tribunal do Júri é o órgão competente para julgar crimes dolosos contra a vida.
O crime e a investigação
Jordana Fraga Martins David, uma jovem advogada, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em outubro de 2018. As investigações iniciais consideraram a hipótese de suicídio, mas rapidamente a apuração indicou que Luís Felipe, seu então noivo, teria sido o responsável pela morte e tentado alterar a cena do crime para induzir as autoridades ao erro.
A dinâmica do ocorrido
Segundo a denúncia oferecida pela promotoria de Justiça, Jordana havia saído para votar no dia de sua morte, demonstrando tranquilidade e fazendo planos para o futuro. Após um desentendimento com Luís Felipe, motivado por ciúmes, ela foi morta com um disparo à queima-roupa na cabeça. A investigação detalhada revelou que o acusado teria alterado o local da morte, reposicionando o corpo da vítima e deixando a arma ao lado, na tentativa de simular um ato de suicídio. Contudo, a análise pericial e outros elementos colhidos ao longo da apuração desconstruíram essa versão, apontando para o feminicídio.
Antecedentes e comportamento do acusado
As investigações trouxeram à tona um histórico de violência e controle no relacionamento entre Jordana e Luís Felipe. A advogada, conforme relatos, teria se afastado de amigos e modificado hábitos, vivendo sob a constante influência e pressão psicológica do companheiro, que demonstrava comportamento possessivo e impunha restrições. Há registros, inclusive, de agressões anteriores ao dia do crime, conforme a denúncia. O comportamento do agropcuarista após a morte de Jordana também se tornou um ponto central. Ele teria ligado para a mãe da vítima e, durante a conversa, demonstrado mais preocupação com o paradeiro de seu próprio revólver do que com Jordana, afirmando que não queria saber da advogada. Na sequência, teria feito um pedido de sanduíche e retornado para casa, conduta considerada insensível diante da gravidade da situação.
Medida cautelar e apreensão de passaporte
Recentemente, a promotoria de Justiça, atualmente acompanhada pela promotora Elissa Tatiana Pryjmak, obteve uma importante medida cautelar contra o acusado: a apreensão de seu passaporte.
Risco de fuga
O pedido de apreensão do passaporte foi feito após a promotoria receber informações de que Luís Felipe havia adquirido passagens com destino a Miami, nos Estados Unidos. A medida visa garantir que o acusado permaneça no país e esteja disponível para o julgamento, evitando um possível risco de fuga antes que o Tribunal do Júri seja realizado. A determinação judicial para a apreensão do documento foi cumprida, confirmando a necessidade de precaução por parte das autoridades para assegurar a aplicação da justiça neste caso de repercussão.
Impacto na família da vítima
A dor da família de Jordana Fraga Martins David tem sido uma constante desde o brutal assassinato da jovem advogada. A mãe de Jordana, Lélia Fraga Martins David, foi quem encontrou o corpo da filha em um terreno baldio ao lado da residência familiar.
A dor da mãe
Em depoimentos emocionados, Lélia expressa a profunda angústia e a vida de “sobrevivência” que tem levado desde a perda da filha. “Uma mãe, quando perde um filho, ela não vive, ela sobrevive. Eu estou sobrevivendo a essa dor, a essa angústia, todos os dias da minha vida”, disse Lélia, dois anos após o crime. A família tem clamado por justiça desde o primeiro momento, aguardando que o responsável pela morte de Jordana seja devidamente julgado e punido. A manutenção do júri popular representa um alívio e uma renovada esperança de que a verdade prevaleça e que a memória de Jordana seja honrada com a devida responsabilização criminal.
Desdobramentos e expectativa
A confirmação do júri popular de Luís Felipe Silva Lima é um marco significativo no longo processo judicial que envolve o feminicídio da advogada Jordana Fraga Martins David. O acusado, que aguarda o julgamento em liberdade, enfrentará agora a avaliação de seus pares, em um tribunal composto por cidadãos, que decidirão sobre sua culpa ou inocência com base nas provas apresentadas pela acusação e pela defesa. A expectativa é que o julgamento traga um desfecho definitivo para o caso, proporcionando algum grau de encerramento e justiça à família da vítima e à comunidade que acompanhou o desenrolar desta trágica história.
Perguntas frequentes
Quem era Jordana Fraga Martins David?
Jordana Fraga Martins David era uma jovem advogada de 22 anos, morta em outubro de 2018 em Itaberaí, Goiás. Sua morte, inicialmente tratada como possível suicídio, foi posteriormente investigada como feminicídio.
Qual a acusação contra Luís Felipe Silva Lima?
Luís Felipe Silva Lima é acusado de feminicídio (homicídio qualificado contra mulher por razões da condição de sexo feminino) e de tentar simular o suicídio de Jordana Fraga Martins David para encobrir o crime.
O que significa a “manutenção do júri popular”?
Significa que o Tribunal de Justiça de Goiás negou o recurso da defesa do acusado, mantendo a decisão de que o caso deverá ser julgado por um júri popular, um conselho de cidadãos que decide sobre a culpa ou inocência em crimes dolosos contra a vida.
O acusado está preso?
Não. Luís Felipe Silva Lima aguarda o julgamento em liberdade, mas teve seu passaporte apreendido por determinação judicial para evitar risco de fuga.
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