O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento dos acusados que integram o Núcleo 4, considerado o “núcleo de desinformação” da trama que visava manter Jair Bolsonaro na presidência após a derrota nas eleições de 2022. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, abriu a sessão com a leitura do relatório da ação penal.
O grupo é composto por sete réus, entre militares e civis, e é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de propagar notícias falsas sobre o processo eleitoral e atacar instituições e autoridades que pudessem ameaçar os interesses da organização criminosa.
A acusação aponta que o grupo montou uma estrutura paralela da Brasileira de Inteligência (Abin), utilizada para monitorar adversários políticos. Além disso, é imputada ao núcleo a responsabilidade por uma campanha de difamação e ataques virtuais contra os comandantes do Exército e da Aeronáutica em 2022, com o objetivo de pressioná-los a aderir a um plano golpista.
Entre os réus, estão o major da reserva do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros, o major da reserva do Exército Ângelo Martins Denicoli, o subtenente do Exército Giancarlo Gomes Rodrigues, o tenente-coronel do Exército Guilherme Marques de Almeida, o coronel do Exército Reginaldo Vieira de Abreu, o policial federal Marcelo Araújo Bormevet e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal.
Os acusados respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado.
As defesas argumentam que a PGR não conseguiu individualizar as condutas de cada réu nem apresentou provas concretas dos crimes, baseando a acusação em indícios e suposições.
Após a leitura do relatório e a manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, as defesas terão a oportunidade de apresentar seus argumentos. A sessão de julgamento teve início pela manhã. Estão previstas mais três sessões para finalizar o julgamento, com votação dos ministros da Primeira Turma sobre a absolvição ou condenação dos réus.
O julgamento do caso foi dividido pela PGR em diversos núcleos, agrupados de acordo com seu papel dentro da organização criminosa. O Núcleo 1, considerado o “crucial”, já resultou na condenação de outras pessoas. Os julgamentos dos Núcleos 2 e 3 estão agendados para novembro e dezembro, respectivamente.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



