O governo de Goiás, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), anunciou um investimento de R$ 1 milhão destinado a projetos de pesquisa e extensão. O foco é fortalecer a sociobioeconomia, as tecnologias sociais e o desenvolvimento sustentável na região do Nordeste goiano, uma área de grande potencial natural e cultural. Lançado em 5 de dezembro pelo governador Ronaldo Caiado, durante um fórum nacional em Goiânia que reuniu líderes de ciência e tecnologia de todo o país, este edital marca um passo significativo para a promoção da inovação no Nordeste goiano, visando transformar a riqueza local em oportunidades de avanço socioeconômico e inclusão social. A iniciativa faz parte do programa Cerrado Tech, que busca uma sinergia entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais da comunidade.
O programa Cerrado Tech: impulsionando a sociobioeconomia e o desenvolvimento regional
A iniciativa Cerrado Tech nasce com o propósito claro de fortalecer a sociobioeconomia e a inovação na região do Nordeste goiano, conhecida por sua vasta biodiversidade, rico patrimônio natural e um latente potencial para o desenvolvimento sustentável. O programa foi meticulosamente desenhado para estimular a proposição de soluções inovadoras. Seu objetivo é transformar a singular riqueza natural e cultural da região em oportunidades concretas de inovação e inclusão social, criando uma ponte entre a ciência, a tecnologia e os valiosos saberes tradicionais das comunidades locais.
Fundamentos e objetivos da iniciativa
Os fundamentos do Cerrado Tech residem na crença de que a inovação pode e deve ser um vetor para o desenvolvimento regional que respeite as peculiaridades e potencialidades de cada localidade. A meta é incentivar projetos que fortaleçam as cadeias produtivas existentes e emergentes na região, ao mesmo tempo em que promovem o uso sustentável e responsável dos recursos naturais do Cerrado, um bioma de importância global. Conforme destacado por Marcos Arriel, presidente da Fapeg, a expectativa é que os projetos apoiados gerem “impactos concretos e mensuráveis nas comunidades e territórios do Nordeste goiano”. Ele ressaltou ainda o desejo de “fomentar um modelo de desenvolvimento regional que respeite os modos de vida tradicionais, estimule o uso responsável da biodiversidade do Cerrado, fortaleça as cadeias produtivas sustentáveis locais, contribua para a redução das desigualdades sociais e promova a integração entre ensino, pesquisa e extensão em redes”. Essa visão abrangente busca não apenas o avanço tecnológico, mas também a melhoria da qualidade de vida e a valorização das identidades locais. José Frederico Lyra Netto, titular da Secti, complementou a visão, afirmando que o programa visa “transformar conhecimento em oportunidade e para valorizar o conhecimento local”, reforçando a ideia de uma ciência aplicada ao desenvolvimento real das pessoas, com impacto direto nas comunidades. Para ele, é uma iniciativa que reflete a visão de uma educação para o futuro: inovadora, sustentável e profundamente conectada às vocações naturais e econômicas de Goiás.
Mecanismos de apoio e áreas temáticas prioritárias
A operacionalização do investimento de R$ 1 milhão ocorre através de um edital específico, que detalha os procedimentos para a submissão e seleção de propostas, garantindo transparência e alinhamento com os objetivos do programa Cerrado Tech. O processo é estruturado em etapas, começando com a fase de “Enquadramento”, onde os proponentes devem apresentar suas ideias.
Estrutura de financiamento e elegibilidade
Para a submissão das propostas, os interessados devem utilizar a plataforma Sparkx OPP Fapeg (sparkx.fapeg.go.gov.br//public/login). O prazo final para esta primeira etapa, a de Enquadramento, estende-se até 13 de fevereiro de 2026. Os projetos selecionados terão um prazo de execução de 18 meses, permitindo um desenvolvimento aprofundado e a implementação das soluções propostas. O número de propostas a serem financiadas estará condicionado aos recursos disponíveis no edital, sendo distribuído conforme faixas de financiamento que consideram o escopo, a complexidade e as metas de cada projeto. Existem duas faixas principais de financiamento:
Pequeno porte: Com um valor máximo de R$ 50 mil por proposta.
Médio ou grande porte: Com um valor máximo de R$ 100 mil por proposta.
A justificativa para a escolha de uma dessas faixas será embasada na abrangência territorial da proposta, no número de beneficiários diretos e indiretos, no escopo técnico detalhado e nas articulações institucionais envolvidas. Podem apresentar propostas pesquisadores, professores e técnicos vinculados a Instituições de Ensino Superior (IES) públicas ou privadas sem fins lucrativos (desde que possuam titulação de mestre ou doutor), bem como institutos de pesquisa. É imprescindível que os proponentes comprovem atuação nas áreas de sociobioeconomia, desenvolvimento sustentável e sociobiodiversidade no estado de Goiás. As propostas devem estar inseridas em uma ou mais das três áreas temáticas prioritárias: Inovação tecnológica e processos produtivos; Inovação na comercialização e mercados; e Tecnologia e inovação para o turismo sustentável. Esta segmentação visa direcionar os esforços para setores estratégicos que têm o potencial de gerar maior impacto na região.
O potencial transformador do Nordeste goiano
A região do Nordeste goiano, foco deste importante investimento, é um território de particularidades e grande significado para o estado de Goiás e para o Brasil. Composta por 20 municípios – Alto Paraíso de Goiás, Buritinópolis, Campos Belos, Cavalcante, Colinas do Sul, Damianópolis, Divinópolis de Goiás, Flores de Goiás, Guarani de Goiás, Iaciara, Mambaí, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma, Posse, São Domingos, São João d’Aliança, Simolândia, Sítio d’Abadia, Teresina de Goiás e Vila Boa – a área se destaca por sua riqueza natural e cultural.
Desafios e oportunidades para a região
Entre os municípios do Nordeste goiano, alguns se sobressaem por sua localização estratégica em relação a áreas de conservação ambiental. Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Campos Belos e Posse, por exemplo, abrigam parte da Chapada dos Veadeiros, um ecossistema exuberante reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Essa designação sublinha a importância ambiental e cultural do território, que atrai turistas e pesquisadores de diversas partes do mundo. No entanto, apesar de seu valor inestimável, o Nordeste goiano ainda enfrenta desafios socioeconômicos significativos. O isolamento geográfico de muitas de suas comunidades e a baixa diversificação produtiva representam obstáculos ao pleno desenvolvimento da região. É nesse contexto que o programa Cerrado Tech e o investimento de R$ 1 milhão se tornam ainda mais relevantes. Ao focar em sociobioeconomia, tecnologias sociais e desenvolvimento sustentável, a iniciativa busca justamente alavancar as potencialidades únicas da região para superar suas vulnerabilidades. A ideia é criar um ciclo virtuoso, onde o conhecimento científico e os saberes tradicionais se unem para gerar soluções que promovam a inclusão social, a sustentabilidade ambiental e a dinamização econômica, transformando os desafios em oportunidades concretas de progresso para os moradores do Nordeste goiano.
Perspectivas de impacto e o futuro da inovação em Goiás
O investimento de R$ 1 milhão no Nordeste goiano representa mais do que um apoio financeiro; ele simboliza um compromisso do governo de Goiás com um futuro onde a ciência e a inovação são pilares do desenvolvimento equitativo e sustentável. Ao focar em projetos que promovam a sociobioeconomia e valorizem os saberes tradicionais, o programa Cerrado Tech busca catalisar mudanças profundas, visando a redução das desigualdades sociais e o fortalecimento de comunidades que historicamente enfrentam desafios. A expectativa é que as soluções gestadas por meio deste edital não apenas impulsionem novas tecnologias e processos produtivos, mas também criem mercados mais justos e um turismo mais consciente, tudo em harmonia com a preservação do Cerrado. Esta iniciativa reforça a visão de um Goiás que investe no conhecimento local e na capacidade de seus pesquisadores e empreendedores para construir um estado mais próspero e resiliente, onde a inovação serve diretamente ao bem-estar da população e à sustentabilidade de seus recursos naturais.
Perguntas frequentes sobre o edital Cerrado Tech
Qual o objetivo principal do investimento de R$ 1 milhão no Nordeste goiano?
O objetivo principal é apoiar projetos de pesquisa e extensão focados em sociobioeconomia, tecnologias sociais e desenvolvimento sustentável, buscando transformar a riqueza natural e cultural da região em oportunidades de inovação e inclusão social.
Quem pode submeter propostas para o programa Cerrado Tech?
Podem submeter propostas pesquisadores, professores e técnicos de Instituições de Ensino Superior (públicas ou privadas sem fins lucrativos, com mestrado ou doutorado), e institutos de pesquisa, desde que comprovem atuação nas áreas temáticas em Goiás.
Quais são as faixas de financiamento disponíveis para os projetos?
Existem duas faixas: pequeno porte, com valor máximo de R$ 50 mil por proposta, e médio ou grande porte, com valor máximo de R$ 100 mil por proposta.
Qual o prazo final para a submissão das propostas na plataforma Sparkx OPP Fapeg?
O prazo final para a etapa de Enquadramento das propostas é 13 de fevereiro de 2026.
Para mais detalhes e acesso à plataforma de submissão, visite o portal oficial da Fapeg e prepare sua proposta transformadora para o Nordeste goiano.



