A capital goiana intensifica o combate ao Aedes aegypti, mosquito vetor da dengue, chikungunya e zika, com o lançamento de uma operação de larga escala envolvendo 750 agentes de combate a endemias. Essa força-tarefa é fundamental para proteger a saúde pública diante do cenário epidemiológico atual e da iminente circulação do vírus da dengue tipo 3 (DENV-3) na região. Com um plano ambicioso de realizar mais de 2,5 milhões de visitas domiciliares, a iniciativa visa inspecionar cada residência e propriedade, garantindo a eliminação de focos do mosquito e a conscientização da população. O sucesso dessa empreitada, que envolve um esforço coordenado e massivo, depende crucialmente da colaboração de cada cidadão, que precisa abrir as portas aos agentes e adotar medidas preventivas em seus próprios lares.
A força-tarefa em detalhes: 2,5 milhões de vistorias e tecnologia avançada
A Operação de Enfrentamento à Dengue é uma das maiores já implementadas na cidade, articulando recursos humanos e tecnológicos para cobrir toda a extensão da capital. O objetivo primário é o controle populacional do Aedes aegypti, reduzindo a incidência das doenças transmitidas e salvaguardando a comunidade. A amplitude da ação demonstra a seriedade com que as autoridades de saúde tratam a questão, buscando um impacto significativo na cadeia de transmissão do vírus.
Agentes de combate: o coração da operação
Os 750 agentes de combate a endemias formam a espinha dorsal desta operação. Treinados para identificar e eliminar potenciais criadouros do mosquito, eles serão os responsáveis por percorrer os bairros de Goiânia, visitando todas as residências e estabelecimentos. O plano prevê a realização de mais de 2,5 milhões de visitas domiciliares ao longo do ano, um número que reflete a vasta cobertura necessária para uma vigilância eficaz. Além das visitas rotineiras, a força-tarefa dará atenção especial a 1.116 imóveis mapeados que representam riscos elevados à saúde pública. Esses locais, muitas vezes abandonados, com grande acúmulo de entulho ou com histórico de focos recorrentes, passarão por vistorias compulsórias. A medida é legalmente amparada em situações de risco iminente, permitindo que os agentes atuem mesmo na ausência do proprietário, garantindo que nenhum ponto crítico seja negligenciado na luta contra o mosquito. Durante as visitas, os agentes não apenas inspecionam, mas também orientam os moradores sobre as melhores práticas de prevenção, reforçando o caráter educativo da operação.
A ameaça do DENV-3 e a estratégia multifacetada
A previsão da entrada em circulação do vírus da dengue tipo 3 (DENV-3) em Goiânia adiciona uma camada de urgência e complexidade à situação. O DENV-3 é uma das quatro variantes do vírus da dengue e sua chegada significa que uma parcela significativa da população que já teve dengue (por DENV-1 ou DENV-2, por exemplo) não possui imunidade contra essa nova cepa, tornando-a suscetível a novas infecções, que podem ser mais graves em casos de reinfecção. Para conter essa ameaça, as ações de combate foram intensificadas, utilizando um arsenal diversificado de estratégias.
Intensificação com Ultra Baixo Volume (UBV) e monitoramento constante
Para além das visitas domiciliares, as autoridades de saúde estão empregando tecnologias como a aplicação de Ultra Baixo Volume (UBV), popularmente conhecida como “fumacê”, por meio de bombas costais. Esta técnica é direcionada para bloqueio focal e perifocal do mosquito transmissor da dengue. O UBV consiste na dispersão de um inseticida em microgotículas no ar, que atinge os mosquitos adultos em voo, ajudando a quebrar o ciclo de transmissão em áreas com casos positivados de dengue. Ao focar em regiões específicas onde há confirmação de infecções, a estratégia visa conter rapidamente a proliferação e evitar surtos maiores. Segundo o superintendente de Vigilância em Saúde, essa é uma “mega operação”, que integra não só o trabalho dos agentes e a tecnologia do UBV, mas também o uso de armadilhas para monitoramento, o manejo de casos em unidades de urgência, emergência e saúde básica, e a constante notificação e acionamento dos agentes em resposta a novos focos. Essa abordagem abrangente busca cercar o mosquito de todas as formas possíveis, maximizando a eficácia das ações de controle.
A participação cidadã: pilar fundamental no combate
Apesar do grande esforço empreendido pela administração municipal, a batalha contra o Aedes aegypti é uma responsabilidade compartilhada. As autoridades de saúde de Goiânia estimam que 50% do sucesso na erradicação da dengue depende das ações do poder público e os outros 50% da colaboração ativa da população. Essa parceria é inegociável para garantir a proteção de todos os moradores. A recepção aos agentes de combate a endemias é o primeiro passo crucial para essa colaboração.
Orientações claras para a prevenção domiciliar
É fundamental que a população receba os agentes em casa, compreendendo que eles não estão ali para punir, mas para orientar, inspecionar e ajudar na prevenção. Com um olhar técnico e criterioso, os agentes podem identificar pontos de risco que muitas vezes passam despercebidos aos moradores. Além de permitir a entrada dos profissionais, a adoção de cuidados básicos e constantes no dia a dia é o que realmente faz a diferença. Entre os cuidados mais importantes, destacam-se:
– Limpeza de calhas e ralos: A água acumulada nestes locais é um convite perfeito para a desova do Aedes. A limpeza regular remove folhas e sujeira que podem represar a água.
– Tampas nas caixas d’água: Caixas d’água destampadas são grandes reservatórios e criadouros em potencial. É essencial mantê-las bem vedadas.
– Descarte adequado de pneus, garrafas pet e entulho: Esses itens, quando expostos, acumulam água da chuva e se tornam focos ideais para o mosquito. Devem ser descartados corretamente ou guardados em locais cobertos e secos.
– Manutenção de pratos e vasos de plantas com areia: A areia nos pratinhos absorve a água e impede que ela fique estagnada. Se não houver areia, a água deve ser eliminada diariamente.
– Atenção a objetos expostos: Brinquedos, boias, lonas e qualquer outro objeto que possa acumular água da chuva, mesmo em pequenas quantidades, precisam ser virados, esvaziados ou guardados.
– Lavar e escovar bebedouros de animais: Trocar a água e escovar as bordas dos recipientes de água de animais de estimação diariamente.
– Verificar bandejas de geladeiras e aparelhos de ar condicionado: Alguns modelos possuem bandejas que acumulam água e precisam ser limpas regularmente.
A vigilância constante e a prática desses cuidados simples, mas eficazes, em cada lar de Goiânia são a chave para eliminar os criadouros do Aedes aegypti e proteger a comunidade da ameaça da dengue e outras arboviroses. A soma dos esforços individuais se traduzirá em um benefício coletivo de saúde e bem-estar.
Perguntas frequentes
1. Quantos agentes estão envolvidos na operação de combate ao Aedes aegypti em Goiânia?
A operação conta com a mobilização de 750 agentes de combate a endemias, que atuarão em toda a capital.
2. Qual o papel da população no combate à dengue, segundo as autoridades de saúde?
A população tem um papel fundamental e compartilha 50% da responsabilidade no combate à dengue. Isso inclui receber os agentes de combate a endemias em casa, seguir suas orientações e adotar medidas preventivas diárias, como eliminar água parada, limpar calhas e manter caixas d’água tampadas.
3. Por que a previsão de entrada do vírus DENV-3 em Goiânia é motivo de preocupação?
A entrada do DENV-3 é preocupante porque muitas pessoas em Goiânia podem já ter sido infectadas por outros tipos de dengue (DENV-1 ou DENV-2) e, portanto, não teriam imunidade contra essa nova cepa, tornando-as suscetíveis a novas infecções que podem apresentar quadros clínicos mais graves.
4. O que são as vistorias compulsórias e por que são realizadas?
As vistorias compulsórias são inspeções obrigatórias realizadas em imóveis mapeados que representam alto risco para a saúde pública, como locais abandonados ou com histórico de focos. Elas são feitas para garantir a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e proteger a comunidade, mesmo na ausência do proprietário, por força da legislação sanitária.
Engaje-se ativamente nesta campanha vital. Sua participação é decisiva para construir uma Goiânia mais segura e livre da dengue. Acesse o site da prefeitura para mais informações e denúncias, e junte-se a este movimento pela saúde pública.



