A capital goiana iniciou uma importante iniciativa voltada para a promoção da diversidade e o combate ao racismo no ambiente educacional. A campanha de autodeclaração racial, intitulada “Sua Raça/Cor é Parte da sua História e Merece ser Reconhecida”, busca garantir o registro preciso das informações étnico-raciais de crianças e estudantes matriculados na rede municipal de ensino. Coordenada pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Secretaria Municipal de Educação (SME), a ação é um pilar fundamental para a construção de políticas educacionais mais equitativas e inclusivas, reforçando a identidade e a valorização das múltiplas origens que compõem a comunidade escolar. A mobilização envolve toda a comunidade escolar, desde os profissionais da educação até os pais e responsáveis legais, com o objetivo de incentivar a participação ativa nesse processo de reconhecimento.
Campanha em Goiânia: um passo para a valorização da diversidade
A campanha de autodeclaração “Sua Raça/Cor é Parte da sua História e Merece ser Reconhecida” representa um avanço significativo para a cidade de Goiânia na promoção da igualdade racial e no reconhecimento da pluralidade cultural presente em suas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis). Implementada pela Secretaria Municipal de Educação (SME), a iniciativa é parte integrante das diretrizes do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi/SME), que atua ativamente na valorização da diversidade étnico-racial, no fortalecimento da identidade de cada indivíduo e na erradicação de práticas e preconceitos racistas no contexto escolar.
O Neabi/SME, ao promover esta campanha, sublinha a importância de transcender a mera formalidade do preenchimento de dados. Trata-se de um convite à reflexão sobre a própria identidade e o papel da ancestralidade na construção de cada ser. A correta autodeclaração de raça/cor permite que as informações coletadas sirvam como base para a elaboração de políticas educacionais mais assertivas e eficazes. Ao mapear a composição étnico-racial da rede de ensino, é possível identificar lacunas e necessidades específicas, direcionando recursos e programas para atender de forma mais justa e inclusiva a todos os estudantes. A campanha convida professores, equipes gestoras, secretários escolares e demais profissionais das unidades educacionais a serem agentes multiplicadores, apoiando e orientando estudantes e suas famílias no processo.
Políticas afirmativas e a construção de uma educação justa
A autodeclaração étnico-racial possui um valor legal indiscutível no Brasil e serve como um critério essencial para o acesso a diversas políticas afirmativas, que buscam corrigir desigualdades históricas. Estas políticas, como as cotas raciais em universidades e concursos públicos, são ferramentas importantes para democratizar o acesso a oportunidades, especialmente para populações negras (pretos e pardos) e indígenas, que historicamente foram marginalizadas.
No contexto educacional, o registro preciso da raça/cor desde a primeira infância é crucial. Ele não apenas prepara os estudantes para futuras oportunidades que demandam essa identificação, mas também permite que as instituições de ensino compreendam melhor a demografia de seu corpo discente. Com esses dados, a SME pode desenvolver programas pedagógicos mais sensíveis à diversidade cultural, promover materiais didáticos inclusivos e oferecer suporte específico para grupos que necessitam, contribuindo para uma educação que não apenas reconhece, mas celebra e empodera todas as identidades. Ao assegurar que cada criança e estudante tenha sua raça/cor corretamente registrada, a campanha pavimenta o caminho para um futuro com menos desigualdades e mais representatividade em todos os níveis da sociedade.
Processo de identificação: como e por que se autodeclarar?
A campanha de autodeclaração “Sua Raça/Cor é Parte da sua História e Merece ser Reconhecida” foi planejada para ser um processo acessível e integrado ao cotidiano escolar. A autodeclaração ocorre diretamente nas unidades educacionais, no momento da renovação ou confirmação da matrícula dos estudantes. Para os estudantes menores de 16 anos, a responsabilidade pela autodeclaração recai sobre seus pais ou responsáveis legais, garantindo que a identificação seja feita de forma consciente e com o suporte familiar. Este método busca não apenas a coleta de dados, mas também incentivar o diálogo sobre identidade e pertencimento racial no ambiente familiar e escolar.
A intenção vai além do simples preenchimento de um formulário. Trata-se de um convite para que estudantes, pais e responsáveis reflitam sobre sua ancestralidade, sua cor de pele e a forma como se percebem em relação às categorias raciais estabelecidas. O ato de autodeclarar-se é um exercício de cidadania e de reconhecimento da própria identidade, que contribui diretamente para a visibilidade de grupos historicamente sub-representados. Ao incentivar essa prática, a SME reforça o compromisso com uma educação que valoriza a pluralidade e que se baseia em dados reais para a formulação de políticas públicas eficazes e inclusivas. A participação de toda a comunidade escolar é vital para o sucesso dessa iniciativa e para a construção de um ambiente educacional mais justo e respeitoso.
Categorias do IBGE: entendendo a autodeclaração étnico-racial
Para a realização da autodeclaração, a campanha se baseia nas categorias de raça/cor utilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que são as referências oficiais para a coleta de dados demográficos no país. É fundamental compreender o significado de cada uma delas para que o processo seja feito de forma informada e consciente:
Preta: Esta categoria se refere à pessoa que se autodeclara preta e que possui características físicas predominantemente associadas à ascendência africana. A identidade preta é construída a partir de traços como a cor da pele, tipo de cabelo e feições, reconhecendo a herança e a cultura afro-brasileira.
Indígena: Engloba a pessoa que se autodeclara indígena. Essa classificação inclui tanto aqueles que vivem em aldeias e territórios tradicionais quanto aqueles que residem fora deles, em áreas quilombolas ou em centros urbanos. O critério principal é a autodeclaração e o reconhecimento de sua identidade e ancestralidade indígena.
Parda: Destina-se à pessoa que se autodeclara parda e que possui uma miscigenação de raças, apresentando uma combinação de traços, com predominância de características pretas e/ou indígenas. É uma categoria que reflete a vasta diversidade da população brasileira, marcada pela mistura de etnias.
Branca: Corresponde à pessoa que se autodeclara branca e que possui características físicas historicamente associadas às populações europeias. Esta categoria, assim como as demais, é baseada na percepção individual e na identificação com os traços fenotípicos.
Amarela: Refere-se à pessoa que se declara de origem oriental, abrangendo nacionalidades como japonesa, chinesa e coreana. Esta categoria reconhece a presença e a contribuição das comunidades asiáticas na formação social e cultural do Brasil.
O ato de autodeclaração é um direito e uma ferramenta de empoderamento, permitindo que cada indivíduo afirme sua identidade e contribua para a construção de estatísticas que espelhem a verdadeira composição étnico-racial do país, fundamentais para a formulação de políticas públicas mais equitativas.
Rumo à equidade: o impacto da autodeclaração
A campanha de autodeclaração de raça/cor nas unidades educacionais de Goiânia é um passo decisivo na promoção da equidade e do respeito à diversidade. Ao envolver toda a comunidade escolar e valorizar a autoidentificação, a iniciativa não apenas coleta dados essenciais para a formulação de políticas públicas mais justas e inclusivas, mas também fomenta um ambiente de diálogo e reconhecimento das múltiplas identidades que compõem a sociedade. O engajamento com essa campanha fortalece a identidade de cada estudante, combate o racismo estrutural e contribui para a construção de uma educação que realmente reflita a riqueza étnico-racial de Goiânia e do Brasil. A autodeclaração, em sua essência, é um ato de valorização da história individual e coletiva, pavimentando o caminho para um futuro com mais igualdade e representatividade em todos os setores.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Quem deve realizar a autodeclaração de raça/cor?
Estudantes da rede municipal de ensino de Goiânia devem realizar a autodeclaração. No caso de alunos menores de 16 anos, a responsabilidade cabe aos seus pais ou responsáveis legais durante o processo de matrícula ou renovação.
2. Qual é a importância da autodeclaração racial para as políticas educacionais?
A autodeclaração é fundamental para coletar dados precisos sobre a composição étnico-racial da comunidade escolar. Essas informações servem de base para a criação e aprimoramento de políticas educacionais inclusivas, combate ao racismo e desenvolvimento de programas pedagógicos que valorizem a diversidade e atendam às necessidades específicas de cada grupo étnico-racial.
3. Onde e quando posso fazer a autodeclaração?
A autodeclaração é realizada na própria unidade educacional (escolas e Cmeis) onde o estudante está matriculado. O processo ocorre no momento da renovação e/ou confirmação da matrícula, conforme a programação estabelecida por cada instituição.
Participe ativamente da campanha e ajude a construir uma educação mais inclusiva e representativa para todos em Goiânia.



