A população de favelas no Rio de Janeiro enfrenta uma “bomba invisível” de traumas e problemas de saúde, resultado da violência constante e das operações policiais. A Operação Contenção, realizada recentemente nos complexos do Alemão e da Penha, é apontada como um exemplo devastador, com um alto número de mortos e consequências duradouras para os moradores.
O impacto dessas ações vai além do pânico imediato, do fechamento do comércio e das escolas, e da interdição de vias. Moradores relatam o desenvolvimento de diabetes, hipertensão, distúrbios emocionais e mentais, insônia e até AVCs. Um estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) revelou que o risco de depressão e ansiedade é mais que o dobro em favelas com maior exposição a tiroteios envolvendo agentes do Estado. A probabilidade de insônia e hipertensão arterial também é significativamente maior nessas comunidades.
Manifestações recentes expressaram a indignação dos moradores, que se sentem discriminados e desamparados pelo Estado. Uma mãe, que perdeu o filho em uma ação policial há poucos meses, compartilhou a dor de reviver o trauma com a nova operação.
Os complexos do Alemão e da Penha são considerados pontos estratégicos para o Comando Vermelho, facção criminosa presente em diversos estados do país. No entanto, especialistas apontam que as operações policiais, embora resultem em prisões e apreensões, não desestabilizam a estrutura do Comando Vermelho, impactando principalmente a população local.
O Comando Vermelho expandiu seu controle territorial no Grande Rio, ultrapassando as milícias e controlando mais da metade das áreas dominadas por criminosos. A atuação da facção vai além do tráfico de drogas, explorando economicamente os territórios controlados por meio de serviços e taxas impostas aos moradores.
Especialistas defendem que o combate ao crime organizado deve ir além das operações policiais, priorizando investigações financeiras e o desmantelamento das estruturas das facções. A oferta de oportunidades para jovens em áreas vulneráveis é vista como uma estratégia fundamental para evitar o recrutamento pelo crime organizado. Programas de apoio a estudos, capacitação e inserção no mercado de trabalho são apontados como medidas promissoras.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



