terça-feira, janeiro 27, 2026
InícioGoiásFamília lamenta morte de Aruna, segunda siamesa separada em complexa cirurgia

Família lamenta morte de Aruna, segunda siamesa separada em complexa cirurgia

A trágica notícia da morte de Aruna, a segunda das gêmeas siamesas separadas em um complexo procedimento cirúrgico em Goiânia, Goiás, gerou profunda comoção. Sete meses após a perda de sua irmã Kiraz, Aruna faleceu na última quarta-feira, dia 24 de dezembro, completando uma jornada marcada por desafios médicos e uma resiliência notável. A família Rodrigues, especialmente a mãe Liliane Cristina da Silva, expressou sua dor e amor incondicional em uma tocante homenagem. Este evento reacende a discussão sobre a complexidade das cirurgias de separação e a fragilidade da vida, destacando a incansável dedicação de equipes médicas e a força de uma família diante de perdas irreparáveis. A história de Aruna e Kiraz permanece como um testemunho da luta pela vida.

Despedida a Aruna: A dor da segunda perda

A notícia do falecimento de Aruna Rodrigues, ocorrido na última quarta-feira, 24 de dezembro, foi anunciada com pesar pelo pai das gêmeas, Alessandro Rodrigues. Sete meses após a perda de sua irmã Kiraz, que havia falecido dez dias após a cirurgia de separação, Aruna encerrava sua batalha pela vida. A família, que acompanhou cada etapa da complexa recuperação das filhas, vive agora o luto pela segunda vez.

A homenagem e o anúncio

Liliane Cristina da Silva, mãe das siamesas, utilizou as redes sociais para prestar uma emocionante homenagem à filha. Publicando uma fotografia do pequeno caixão de Aruna, coberto por uma profusão de flores, a mãe escreveu a comovente mensagem: “Aruninha, minha filha, mamãe te ama muito”. A declaração ressoa a profundidade da dor e do amor materno, compartilhada por amigos e familiares que acompanharam a trajetória das meninas. Alessandro Rodrigues, em um vídeo emocionado, detalhou os últimos momentos de Aruna. Ele revelou que a menina havia saído da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) e fora transferida para um quarto na enfermaria. Infelizmente, foi nesse período de transição que Aruna contraiu uma infecção que se mostraria fatal.

A batalha de Aruna contra a infecção

Conforme relatado pelo pai e confirmado por nota do Hecad, Aruna havia demonstrado uma melhora significativa, o que justificou sua transferência para a enfermaria no início de dezembro. No entanto, dias após essa mudança, seu quadro de saúde se deteriorou rapidamente. Ela apresentou complicações respiratórias graves, exigindo seu imediato retorno à UTI. No ambiente de cuidados intensivos, Aruna foi diagnosticada com uma infecção viral, evoluindo para um choque séptico que, apesar de todos os esforços da equipe médica, resultou em seu falecimento às 15h51 do dia 24 de dezembro. O hospital, em seu comunicado, expressou profundo pesar pela perda e ressaltou que Aruna foi acompanhada diariamente por uma equipe multidisciplinar altamente capacitada durante todo o período de internação, passando por diversas abordagens cirúrgicas adicionais para dar suporte à sua recuperação.

O histórico de Kiraz e a complexidade da separação

A jornada das gêmeas siamesas Kiraz e Aruna foi marcada por desafios desde o nascimento e ganhou destaque nacional com a complexa cirurgia de separação. A história de cada uma, embora entrelaçada, teve desfechos diferentes e dolorosos para a família.

A perda inicial de Kiraz

A irmã de Aruna, Kiraz, faleceu poucos dias após o procedimento cirúrgico de separação, realizado em maio deste ano. Na ocasião, o perfil dedicado às gêmeas nas redes sociais, criado pelos pais para compartilhar a evolução das meninas, também prestou uma sentida homenagem à pequena Kiraz, com a mensagem: “Descanse em paz, filha!”. A morte de Kiraz representou a primeira grande perda para a família e para a equipe médica que dedicou meses à preparação e execução da cirurgia. Após o falecimento da irmã, Aruna, que nasceu unida a Kiraz, continuou a lutar por sua recuperação, passando por diversos procedimentos cirúrgicos e acompanhamento intensivo.

O desafiador procedimento cirúrgico

A cirurgia de separação das irmãs Kiraz e Aruna foi realizada em 10 de maio de 2024, quando as meninas tinham um ano e seis meses de idade. O procedimento, considerado um dos mais complexos já realizados, foi precedido por seis meses de intensa preparação e envolveu uma equipe multidisciplinar impressionante. Segundo informações do Hecad, 16 especialistas e um total de 50 profissionais de diversas áreas da saúde participaram da intervenção que durou mais de 20 horas.

As gêmeas, nascidas na cidade de Igaraçu do Tietê, em São Paulo, eram unidas pelo tórax, abdômen e bacia, uma configuração anatômica que aumentava significativamente a complexidade da separação. O cirurgião responsável pela equipe destacou, em entrevista na época, um dos momentos mais críticos da operação: “A maior preocupação que eu tive foi em relação à parte do tórax. Nós tivemos que dividir aquela membrana do coração, e quando você abre, expõe os dois corações”, explicou, evidenciando a delicadeza e o risco envolvido na manipulação de órgãos vitais compartilhados. A cirurgia de separação de siameses é um procedimento de alta complexidade que exige planejamento meticuloso e coordenação exemplar entre os profissionais, dado o compartilhamento de sistemas orgânicos e a necessidade de reconstrução após a separação.

A jornada de luta e o legado das gêmeas siamesas separadas

A história de Kiraz e Aruna é um doloroso, mas inspirador, lembrete da complexidade da medicina moderna e da força do espírito humano. A dedicação da família Rodrigues, o empenho incansável da equipe médica do Hecad e a própria resiliência das pequenas gêmeas, que enfrentaram uma jornada de saúde extraordinariamente desafiadora, merecem ser reconhecidos. Embora ambas as meninas tenham sucumbido às complicações inerentes a um caso tão raro e complexo, sua história lançou luz sobre os avanços e os limites da ciência médica, bem como sobre a profundidade do amor familiar. Elas representam a luta pela vida contra prognósticos difíceis e deixam um legado de esperança e aprendizado para futuras abordagens em casos de gêmeos siameses, eternizadas na memória de todos que acompanharam sua corajosa trajetória.

Perguntas frequentes sobre a separação de siamesas

O que são gêmeos siameses e como são classificados?
Gêmeos siameses são irmãos que nascem unidos fisicamente, resultado de uma divisão incompleta de um óvulo fertilizado. Eles são classificados de acordo com a parte do corpo que está conectada, como toracópagos (tórax), onfalópagos (abdômen), isquiópagos (pelve) ou craniópagos (cabeça), sendo cada tipo apresentando diferentes níveis de complexidade e compartilhamento de órgãos.

Qual a complexidade de uma cirurgia de separação de gêmeos siameses?
A complexidade de uma cirurgia de separação varia imensamente dependendo da área de união e dos órgãos compartilhados. Procedimentos que envolvem a divisão de sistemas vitais, como o coração, fígado ou cérebro, são extremamente desafiadores, exigindo equipes multidisciplinares extensas, meses de planejamento e alta tecnologia, além de apresentarem riscos elevados de complicações e mortalidade.

Quais os principais riscos após a separação de gêmeos siameses?
Após a cirurgia de separação, os principais riscos incluem infecções, insuficiência de órgãos, complicações respiratórias, problemas cardiovasculares e a necessidade de múltiplas cirurgias reconstrutivas. A recuperação é frequentemente longa e exige cuidados intensivos contínuos, devido à fragilidade dos pacientes e aos desafios inerentes à reconstrução de partes do corpo que antes eram compartilhadas.

Para acompanhar outras notícias e histórias de superação na área da saúde e se manter informado sobre os avanços médicos e os desafios que transformam vidas, assine nossa newsletter.

CONTEÚDO RELACIONADO
- Advertisment -
Google search engine

Mais Populares

Comentários Recentes