terça-feira, janeiro 27, 2026
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Enel prevê normalização da energia em São Paulo até amanhã

Desde a passagem de um ciclone extratropical que atingiu o território paulista com ventos intensos e causou vastos estragos, a região da Grande São Paulo tem enfrentado uma grave falta de energia em São Paulo. Mais de 417 mil moradores permanecem sem eletricidade, vivenciando os impactos diretos e indiretos dessa interrupção prolongada. A Enel, concessionária responsável pelo abastecimento, informou ter mobilizado um número recorde de equipes para trabalhar na restauração do serviço, com a promessa de que a normalização completa do fornecimento de energia para todos os clientes atingidos ocorra até o final do dia de amanhã. A situação se agrava com as recentes chuvas e rajadas de vento, que dificultam os trabalhos e provocam novas interrupções, estendendo o sofrimento dos consumidores. Em meio ao cenário de incerteza e transtornos, a Justiça de São Paulo interveio, determinando um prazo para o restabelecimento e impondo multas diárias à empresa.

O drama dos moradores e o impacto generalizado

A rotina alterada pela escuridão

A interrupção no fornecimento de energia elétrica transformou drasticamente a rotina de milhares de paulistanos, gerando transtornos que vão desde a perda de alimentos até a dificuldade de comunicação e acesso a informações cruciais. É o caso de Erica Chaves, roteirista e moradora do bairro Butantã, na capital paulista, que está sem luz desde as 12h da última quarta-feira (10). Seu relato ilustra a angústia de muitos. Ao retornar do mercado e encontrar sua casa às escuras, Erica teve que correr contra o tempo para salvar alimentos. “Algumas coisas a gente conseguiu levar para a casa de uma vizinha para botar no congelador, que eram comidas que têm uma representatividade afetiva para a gente, que a gente trouxe de uma viagem e a gente deixou no congelador para ir comendo aos poucos. Essas aí a gente deixou na casa de uma amiga, no congelador dela”, conta. Outros itens, infelizmente, não puderam ser salvos e tiveram que ser descartados.

Além da perda material, a falta de energia afeta a comunicação e a segurança. Erica relata estar economizando o uso do celular para preservar a bateria e a internet, uma medida essencial para se manter informada sobre o pai, que está internado em um hospital. “O meu pai está internado no hospital e graças a Deus tem energia no hospital onde ele está. Mas assim, eu estou economizando a internet e entrando de hora em hora na internet para economizar bateria e poder ter notícias dele”, explica. A preocupação se estende à família, que foi avisada sobre as limitações de contato. “Avisei a família e falei: ‘Olha, eu estou sem internet para economizar para ter mais tempo, mas o telefone está normal e funcionando. Então me ligue para um telefone normal para qualquer emergência’.” A situação de Erica, que permanecia inalterada na manhã de sábado (13), reflete o cenário de precariedade vivenciado por centenas de milhares de pessoas que buscam se adaptar à ausência de um serviço essencial.

Protestos e a resposta da comunidade

Vozes que clamam por luz

Diante da prolongada falta de energia, a paciência de muitos moradores se esgotou, resultando em manifestações públicas e clamores por uma solução imediata. Na região do Bixiga, no centro da capital paulista, residentes organizaram um protesto na noite de sexta-feira (12), onde gritos de “Queremos luz” ecoaram pelas ruas. A indignação era palpável, e na manhã seguinte, a situação permanecia inalterada para muitos. Uma moradora do bairro, que preferiu não se identificar, relatou que seu condomínio inteiro seguia sem energia, expondo as dificuldades enfrentadas principalmente pelos idosos. “Ainda estou sem energia e sem luz”, disse ela, descrevendo o sofrimento dos mais velhos para subir escadas, tomar banho, se alimentar e, crucialmente, tomar seus medicamentos, muitos dos quais exigem refrigeração ou condições específicas de armazenamento.

A onda de protestos não se limitou ao Bixiga. Na Pompeia, zona oeste da capital, uma manifestação estava agendada para o início da tarde de sábado. Contudo, pouco antes do horário previsto, uma moradora informou que a energia havia sido restabelecida na região, trazendo um alívio momentâneo para aquela comunidade específica, mas destacando a imprevisibilidade e a disparidade na distribuição do restabelecimento do serviço. Esses movimentos sociais sublinham a urgência da situação e a frustração coletiva com a demora na resolução de um problema que impacta diretamente a dignidade e a qualidade de vida da população.

Ações da Enel e intervenção judicial

Promessas de restabelecimento e desafios operacionais

A Enel, companhia responsável pelo abastecimento de energia na Grande São Paulo, divulgou um comunicado na manhã deste sábado (13) a respeito dos esforços para normalizar a situação. A empresa afirmou ter mobilizado “um número recorde de equipes em campo” desde a última quarta-feira, empenhadas na reparação da infraestrutura danificada. A previsão da concessionária é de que o serviço seja restabelecido e o fornecimento normalizado para todos os clientes afetados pelo evento meteorológico dos dias 10 e 11 de dezembro até o fim do dia de domingo.

A Enel atribuiu a extensa interrupção a “condições meteorológicas adversas”, explicando que as fortes rajadas de vento não apenas causaram os danos iniciais, mas também “impactaram significativamente as operações de restabelecimento”. Segundo a empresa, as rajadas contínuas provocaram “novas interrupções enquanto as equipes trabalhavam para religar os clientes”, criando um ciclo desafiador de danos e reparos que dificulta a agilidade na normalização. A concessionária reiterou seu compromisso em acelerar os trabalhos e minimizar os impactos para os consumidores.

Justiça impõe prazo e multa à concessionária

Diante da gravidade da situação e da prolongada interrupção do serviço, a Justiça de São Paulo interveio na noite de sexta-feira (12). Acatando uma determinação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Defensoria Pública, o Tribunal determinou que a Enel restabeleça a energia elétrica para todos os afetados em um prazo máximo de 12 horas. A decisão judicial estabelece uma multa diária pesada para a concessionária em caso de descumprimento: R$ 200 mil por hora. Essa medida visa a pressionar a empresa a cumprir suas obrigações e garantir o retorno da normalidade para os consumidores.

Em resposta à decisão judicial, a Enel declarou que “não foi intimada da decisão” até o momento da divulgação de seu comunicado. No entanto, a empresa afirmou que, independentemente da intimação, “segue trabalhando de maneira ininterrupta para restabelecer o fornecimento de energia ao restante da população que foi afetada pelo evento climático”. A postura da Enel indica um esforço contínuo para resolver a crise, mesmo enquanto os trâmites legais avançam. A expectativa agora recai sobre o cumprimento do prazo estabelecido pela Justiça e a efetiva normalização do serviço nos próximos dias.

Desdobramentos e perspectivas futuras

A crise energética que assola a Grande São Paulo após a passagem do ciclone extratropical revela a vulnerabilidade da infraestrutura urbana diante de eventos climáticos extremos e a dimensão do impacto na vida cotidiana. Enquanto milhares de famílias seguem enfrentando desafios básicos de sobrevivência, a Enel se desdobra para cumprir a promessa de restabelecimento total da energia até o final de domingo. A intervenção judicial adiciona uma camada de urgência e responsabilidade à operação da concessionária, com multas significativas pairando sobre um possível descumprimento. A situação é um lembrete contundente da necessidade de resiliência nas redes de serviço público e da importância de planos de contingência robustos. Acompanharemos os desdobramentos, esperando que a luz retorne o mais breve possível para todos os lares e que lições valiosas sejam aprendidas para futuras adversidades.

Perguntas frequentes sobre a crise de energia

P1: Qual a causa da falta de energia em São Paulo?
A falta de energia foi causada pela passagem de um ciclone extratropical que provocou ventos fortes e intensos estragos na infraestrutura de distribuição de energia na Grande São Paulo, derrubando árvores e postes.

P2: Quando a energia será totalmente restabelecida?
A Enel, concessionária responsável, informou que a previsão é de que o fornecimento de energia seja normalizado para todos os seus clientes afetados até o fim do dia de domingo, 14 de dezembro.

P3: O que os consumidores afetados podem fazer?
Os consumidores devem priorizar a segurança, evitando contato com fios caídos. É recomendado contatar a Enel pelos canais oficiais para registrar a falta de energia e acompanhar as atualizações. Em casos de perdas materiais, como alimentos estragados, é importante documentar e buscar informações sobre possíveis ressarcimentos.

P4: Quais as consequências para a Enel caso o prazo não seja cumprido?
A Justiça de São Paulo determinou que a Enel tem 12 horas para restabelecer a energia. Caso o prazo não seja cumprido, a concessionária será multada em R$ 200 mil por hora.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta situação crítica e saiba como a Enel e as autoridades estão agindo para restaurar a normalidade. Acompanhe as últimas notícias e orientações para garantir a segurança e o bem-estar de sua família.

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