O dólar em queda marcou a abertura do mercado nesta quinta-feira, consolidando um movimento de recuo que já havia sido observado na sessão anterior, quando a moeda norte-americana fechou abaixo de R$ 5,19. A principal força motriz por trás dessa desvalorização da divisa é a repercussão dos indicadores de atividades de serviços, setor que tem demonstrado um avanço significativo e, paradoxalmente, gerado preocupações. Dados divulgados pelo IBGE indicam um progresso robusto para os serviços em 2025, o que, embora sinalize aquecimento econômico, acende um alerta sobre a resiliência da inflação. Este cenário de preços persistentes tem sido um ponto de atenção para o Banco Central, que monitora de perto os impactos na política monetária e nas expectativas para a taxa Selic. A dinâmica atual reflete uma complexa interação entre fatores domésticos e globais.
Abertura do mercado e a influência dos serviços
A sessão de câmbio desta quinta-feira começou com o dólar registrando uma baixa expressiva, com cotações operando na faixa de R$ 5,16 a R$ 5,17 logo nos primeiros negócios, após ter encerrado o dia anterior em R$ 5,18. Essa movimentação descendente é um reflexo direto da leitura do mercado sobre o cenário econômico brasileiro, em especial após a divulgação de novos dados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor de serviços, que representa uma parcela substancial do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega milhões de brasileiros, revelou um avanço de 2,8% em 2025, conforme apontado pelos indicadores mais recentes.
Essa performance robusta do segmento de serviços é um sinal misto para a economia. Por um lado, indica uma demanda aquecida e uma recuperação contínua das atividades econômicas pós-períodos de instabilidade. O consumo das famílias e o investimento em serviços corporativos têm impulsionado a expansão, gerando empregos e renda. Por outro lado, o vigor desse setor é historicamente associado a pressões inflacionárias, especialmente em um contexto onde a capacidade ociosa diminui e os reajustes de preços se tornam mais frequentes. A dinâmica entre oferta e demanda nos serviços é crucial para entender a persistência da inflação e, consequentemente, as decisões futuras do Banco Central.
O peso do setor de serviços na economia brasileira
O setor de serviços é um pilar fundamental da economia brasileira, englobando desde transporte, armazenagem e correio, até serviços profissionais, administrativos, de informação e comunicação, além de alojamento, alimentação e atividades turísticas. O avanço de 2,8% nos serviços em 2025, conforme reportado pelo IBGE, sublinha a sua capacidade de contribuir significativamente para o crescimento geral do país. Esta pesquisa mensal de serviços (PMS) do IBGE é um termômetro essencial para a saúde econômica, pois captura a pulsação de atividades que afetam diretamente o cotidiano dos cidadãos e a competitividade das empresas.
Um crescimento tão acentuado no setor de serviços não apenas reflete uma recuperação, mas também pode indicar um superaquecimento em certas áreas. A expansão da demanda por serviços, muitas vezes mais intensiva em mão de obra e com custos menos flexíveis do que a indústria ou a agricultura, pode levar a repasses de preços mais consistentes. Salários, aluguéis e outros insumos acabam sendo ajustados, impactando diretamente o custo final dos serviços e, consequentemente, os índices de preços ao consumidor. Este ciclo é precisamente o que preocupa as autoridades monetárias, que veem nos serviços um dos principais focos de inércia inflacionária.
Inflação persistente e a atenção do Banco Central
A resiliência da inflação de serviços tem sido um dos maiores desafios para a política monetária do Banco Central. Diferentemente dos preços de bens, que podem ser mais sensíveis a choques de oferta globais ou à variação do câmbio, os serviços tendem a ter uma dinâmica de preços mais ligada à demanda interna e aos custos de produção domésticos, incluindo salários. Quando o setor de serviços apresenta um avanço robusto, como o indicado para 2025, isso pode significar que a economia está operando perto de sua capacidade máxima, o que gera pressões de custo e preços.
Essa preocupação do Banco Central não é sem fundamento. A meta de inflação, que serve como guia para as decisões de política monetária, tem se mostrado desafiadora em um ambiente onde os preços dos serviços continuam a subir de forma consistente. O Copom (Comitê de Política Monetária) avalia constantemente a velocidade e a sustentabilidade da desinflação para decidir sobre o ritmo de cortes na taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. A manutenção de juros elevados, embora impacte negativamente o crescimento econômico no curto prazo, é a principal ferramenta do BC para conter a inflação e garantir a estabilidade de preços no médio e longo prazos.
Expectativas para a Selic e o mercado de câmbio
A relação entre a taxa Selic e o mercado de câmbio é direta e de grande impacto. Juros mais altos no Brasil tendem a atrair capital estrangeiro em busca de maior rentabilidade em relação a outros mercados, valorizando o real e, consequentemente, fazendo o dólar cair. Da mesma forma, expectativas de cortes mais lentos ou a manutenção da Selic em patamares elevados podem sustentar a atratividade dos investimentos no país, contribuindo para a valorização da moeda nacional.
O avanço robusto do setor de serviços em 2025, ao elevar as preocupações com a inflação, pode levar o mercado a projetar um ritmo mais cauteloso de cortes na Selic por parte do Banco Central. Essa percepção de juros altos por mais tempo atrai os investidores que buscam o “carrego” (ganho com diferencial de juros), fortalecendo o real e empurrando o dólar para baixo, como observado na abertura de hoje. Cenários de desaceleração nos cortes da Selic podem, portanto, manter o câmbio em patamares mais baixos, enquanto um afrouxamento monetário mais agressivo, caso a inflação mostre sinais de arrefecimento mais claros, poderia permitir uma valorização do dólar. A vigilância sobre os comunicados do Copom e os próximos dados de inflação será fundamental para balizar as projeções dos agentes de mercado.
O que esperar da economia e do câmbio
A queda do dólar na abertura da sessão desta quinta-feira reflete uma complexa interação de fatores, com a robustez do setor de serviços em 2025, conforme dados do IBGE, no centro das atenções. Embora um crescimento dos serviços seja um sinal positivo para a atividade econômica, a preocupação com a inflação persistente domina o cenário, influenciando diretamente as expectativas para a taxa Selic. O Banco Central continua em sua missão de controlar os preços, e os dados de serviços reforçam a necessidade de cautela. O mercado de câmbio, por sua vez, continuará a reagir a cada novo indicador econômico e a cada sinalização das autoridades monetárias, com o dólar sensível às perspectivas de juros e ao cenário fiscal. A volatilidade deve permanecer como uma característica marcante, exigindo atenção contínua dos agentes econômicos.
FAQ
O que faz o dólar cair em um dia como hoje?
A queda do dólar hoje está relacionada principalmente à divulgação de dados econômicos que influenciam as expectativas de juros no Brasil. O avanço robusto do setor de serviços em 2025, conforme o IBGE, embora positivo para a economia, acendeu um alerta sobre a inflação. Isso sugere que o Banco Central pode manter a taxa Selic em patamares elevados por mais tempo para conter a inflação, o que torna investimentos em reais mais atrativos para o capital estrangeiro, valorizando a moeda brasileira e fazendo o dólar cair.
Por que o setor de serviços é importante para a inflação?
O setor de serviços é crucial para a inflação porque seus preços tendem a ser menos voláteis e mais diretamente ligados à demanda interna e aos custos domésticos, como salários e aluguéis. Um avanço significativo nos serviços indica uma economia aquecida, o que pode levar a repasses de preços e pressões inflacionárias mais persistentes, dificultando o controle da inflação geral.
Como os dados do IBGE sobre serviços afetam a decisão do Banco Central?
Os dados do IBGE sobre o setor de serviços são um dos principais termômetros para o Banco Central avaliar a saúde da economia e as pressões inflacionárias. Um crescimento forte, como o reportado para 2025, pode sinalizar uma demanda aquecida e a necessidade de manter uma política monetária mais apertada (juros mais altos) para garantir que a inflação retorne à meta estabelecida. As decisões do Copom sobre a taxa Selic são diretamente influenciadas por esses indicadores.
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