A delimitação fronteiriça entre Goiás e Tocantins, que há anos gera incertezas e impasses, alcançou um novo patamar de resolução. Em uma audiência de conciliação recente no Supremo Tribunal Federal (STF), ambos os estados concordaram em suspender a ação judicial que discute a titularidade de aproximadamente 12,9 mil hectares. Esta área, de grande relevância turística e habitada por comunidades tradicionais, está localizada ao norte de Cavalcante, no nordeste de Goiás. A decisão de adiar o julgamento e promover um levantamento técnico conjunto representa um passo fundamental para esclarecer a disputa territorial entre Goiás e Tocantins, buscando uma solução definitiva para o impasse que afeta serviços públicos e a vida dos moradores locais.
Acordo no STF suspende ação e define cronograma para estudo técnico
A conciliação mediada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) marcou um momento crucial na prolongada disputa territorial entre Goiás e Tocantins. A audiência resultou na suspensão da ação cível, que havia sido protocolada pelo Estado de Goiás, permitindo que as partes envolvidas concentrem esforços em um estudo técnico abrangente. O objetivo primordial desse levantamento é realizar uma análise conjunta e detalhada da linha divisória entre os dois estados, que tem sido objeto de contestação há décadas. A suspensão da ação judicial tem prazo estipulado até 22 de junho, período durante o qual os técnicos designados deverão apresentar os resultados de suas investigações.
O impasse histórico e a origem do erro cartográfico
A raiz da disputa territorial entre Goiás e Tocantins reside em um erro material de toponímia, que data de uma carta topográfica do Exército de 1977. Segundo a Procuradoria Geral do Estado de Goiás (PGE-GO), a identificação equivocada de rios utilizados como referência para demarcar a divisa induziu o Tocantins a uma interpretação errônea dos limites estabelecidos pela legislação. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a subsequente criação do Estado do Tocantins a partir do antigo território goiano, a definição das novas fronteiras baseou-se em diretrizes constitucionais. Contudo, na prática, essa demarcação gerou impasses geográficos e jurídicos persistentes, impactando diretamente a governança e a oferta de serviços públicos na região fronteiriça.
Impacto na população e no turismo: Complexo do Prata em foco
A área de conflito não é apenas uma questão de limites geográficos; ela abrange regiões de vital importância social e econômica. Um dos pontos mais estratégicos é o Complexo do Prata, um dos principais atrativos da Chapada dos Veadeiros, conhecido por seus poços e cachoeiras paradisíacas. Este paraíso turístico, que atrai milhares de visitantes anualmente, encontra-se na zona de divisa e teve sua gestão e desenvolvimento impactados pela incerteza sobre a titularidade. Além do turismo, a disputa territorial entre Goiás e Tocantins afeta diretamente as comunidades Kalungas, que habitam a região e se veem em uma situação de indefinição sobre qual estado deveria prover serviços essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
Ações e representantes na busca por uma solução
Em novembro de 2023, a Procuradoria Geral do Estado de Goiás (PGE-GO) ingressou com uma ação cível no STF, denunciando o que considerava uma ocupação irregular por parte de Tocantins. Goiás reivindica a titularidade da área conhecida como Quilombo Kalunga dos Morros, sustentando que Tocantins estaria invadindo sua jurisdição ao oferecer serviços públicos em território goiano. Durante a audiência de conciliação, estiveram presentes figuras-chave de ambos os estados. Representando Goiás, o Procurador-Geral do Estado, Rafael Arruda Oliveira, acompanhado de subprocuradores, técnicos do Instituto Mauro Borges e da gestão municipal de Cavalcante, incluindo o prefeito Vilmar Kalunga, defenderam a posição goiana. Pelo Tocantins, a equipe contou com o Procurador-Geral, Jax James Garcia Pontes, subprocuradores, especialistas em cartografia do Instituto de Terras do Estado do Tocantins (ITERTINS) e representantes da Secretaria dos Povos Originários e da prefeitura de Paranã. A união de esforços e a presença de representantes técnicos e políticos de ambos os lados sinalizam a seriedade e a complexidade da questão, bem como o desejo de se chegar a uma resolução pacífica e fundamentada em dados técnicos.
Próximos passos para a definição da fronteira
A decisão de suspender a ação e realizar um levantamento técnico conjunto representa um marco importante para a resolução da disputa territorial entre Goiás e Tocantins. A expectativa é que, com base nos dados precisos obtidos pelo estudo, seja possível fixar os limites naturais de forma correta, assegurando o reconhecimento da soberania de cada estado sobre suas respectivas áreas. Este processo visa não apenas restaurar a divisa territorial conforme o planejamento original previsto na criação do Tocantins, mas também garantir a estabilidade jurídica e administrativa para as comunidades locais e o desenvolvimento sustentável da região, especialmente do Complexo do Prata, um patrimônio natural de valor inestimável. A colaboração entre os estados, sob a supervisão do STF, é vista como o caminho mais eficaz para superar o impasse histórico e estabelecer uma fronteira clara e incontestável.
Perguntas frequentes
1. Qual é a causa principal da disputa territorial entre Goiás e Tocantins?
A disputa é originada por um erro material de toponímia em uma carta topográfica do Exército de 1977, que identificou rios de forma equivocada, levando a uma interpretação errônea da linha divisória após a criação do Tocantins em 1988.
2. Quais áreas específicas são afetadas por essa disputa?
A área em questão abrange aproximadamente 12,9 mil hectares ao norte de Cavalcante (GO), incluindo o Complexo do Prata, na Chapada dos Veadeiros, e regiões habitadas por comunidades Kalungas.
3. Qual é o próximo passo para resolver a questão?
Os estados de Goiás e Tocantins concordaram em suspender a ação no STF até 22 de junho para realizar um levantamento técnico conjunto da linha divisória, buscando uma demarcação precisa baseada em dados atualizados.
Acompanhe as próximas atualizações sobre este importante caso territorial e seus impactos.



