terça-feira, janeiro 27, 2026
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Dinossauros Habitaram a Amazônia Há Milhões de Anos, Revela Estudo Inédito

Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) identificaram, pela primeira vez, indícios da presença de dinossauros na Amazônia, datando de mais de 103 milhões de anos. A descoberta foi feita na região conhecida como Bacia do Tacutu, no município de Bonfim, em Roraima.

A equipe encontrou mais de dez pegadas da era Jurássico-Cretácea, que permitiram identificar os grupos de dinossauros que habitavam a região. Entre eles, foram identificados raptores, ornitópodes (dinossauros bípedes e herbívoros) e xireóforos, caracterizados por uma armadura óssea na parte superior do corpo.

A região amazônica historicamente apresenta poucos achados arqueológicos devido ao processo de intemperização, que causa o desgaste e a decomposição das rochas, dificultando a preservação de fósseis. De acordo com o pesquisador Lucas Barros, a preservação do material ósseo é mais eficaz quando as rochas permanecem soterradas.

A Bacia do Tacutu, um vale com diversos canais de rios e vegetação abundante, proporcionou condições favoráveis para a preservação das pegadas. A umidade e o posterior endurecimento das pegadas permitiram que resistissem ao soterramento e à ação erosiva ao longo de milhares de anos. A presença de vegetação de cerrado na bacia também contribuiu para a identificação dos afloramentos rochosos.

As pegadas foram inicialmente identificadas em 2014 durante uma atividade de campo de alunos de geologia da UFRR, sob a coordenação do professor Vladimir Souza. No entanto, a falta de especialistas em paleoecologia e equipamentos adequados na universidade resultou na suspensão do projeto. Em 2021, o estudo foi retomado por Lucas Barros, em colaboração com o professor Felipe Pinheiro, da Unipampa, transformando-o em tese de mestrado.

A técnica de fotogrametria foi utilizada para criar modelos 3D de alta fidelidade das pegadas, permitindo a descrição detalhada e a identificação de novos afloramentos. Barros estima que existam centenas de pegadas na Bacia do Tacutu e atualmente investiga pegadas localizadas na terra indígena Jabuti, onde já foram identificadas quatro áreas de interesse científico. A dificuldade de acesso a algumas áreas, devido a estarem em propriedades privadas, ainda é um obstáculo para o avanço das pesquisas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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