Menos de 24 horas após uma dolorosa eliminação nas semifinais da Copa do Brasil, o Cruzeiro confirmou, na manhã desta segunda-feira (15), a saída do técnico português Leonardo Jardim. A decisão surpreende o cenário do futebol nacional, dado o curto período do treinador no comando da equipe e as conquistas relevantes obtidas. A derrota por 5 a 4 nas penalidades, frente ao Corinthians, após um placar agregado de 2 a 2, foi o estopim para o encerramento do vínculo. Leonardo Jardim, de 51 anos, assumiu a Raposa em fevereiro, trazendo consigo a experiência internacional e a expectativa de um projeto vitorioso. Sua gestão culminou na garantia de uma vaga direta para a Copa Libertadores, ao levar o clube à terceira posição no Campeonato Brasileiro. Contudo, o revés no torneio mata-mata pesou na avaliação final. A diretoria celeste agiu rapidamente para anunciar a mudança, que afeta também parte da sua comissão técnica.
A decisão após o revés na Copa do Brasil
O anúncio da saída de Leonardo Jardim do comando técnico do Cruzeiro surge em um momento de reflexão e reestruturação para o clube mineiro. A decisão, comunicada oficialmente, evidencia a intensidade das pressões e a busca incessante por resultados imediatos no futebol brasileiro, especialmente após um revés tão significativo como a eliminação em uma competição de grande prestígio como a Copa do Brasil.
O adeus a Leonardo Jardim e sua comissão
O comunicado oficial do Cruzeiro foi direto e objetivo, informando que “o treinador Leonardo Jardim não seguirá no comando técnico da equipe na temporada 2026”. A nota também confirmou a saída de outros membros da comissão técnica, que chegaram junto com o português: os auxiliares José Barros, Antonio Vieira e Diogo Dias. A gratidão pelos serviços prestados foi expressa, mas a linha de continuidade para o projeto esportivo foi interrompida. O clube também adiantou que o treinador português irá se pronunciar publicamente em uma coletiva de imprensa no Centro de Treinamento (CT) Toca da Raposa II, marcada para as 13h (horário de Brasília). Essa coletiva é aguardada com expectativa para que Jardim possa expor seus pontos de vista sobre a passagem pelo clube e as circunstâncias de sua saída, potencialmente esclarecendo nuances que levaram à ruptura do vínculo.
O confronto decisivo contra o Corinthians
O jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil, disputado na noite de domingo (14), foi o catalisador imediato para a mudança de comando. O Cruzeiro, que precisava reverter um placar adverso ou manter a igualdade no agregado para buscar a vaga na final, protagonizou um duelo eletrizante contra o Corinthians. Após o placar agregado de 2 a 2 – que levou em conta os resultados das duas partidas –, a decisão foi para as cobranças de pênaltis. Nesse momento de alta tensão e imprevisibilidade, o Cruzeiro não conseguiu prevalecer, sendo derrotado por 5 a 4. A eliminação em uma semifinal de Copa do Brasil, além do impacto esportivo e financeiro, costuma ter um peso considerável na avaliação do trabalho de um treinador, especialmente em clubes com a grandeza e a cobrança do Cruzeiro. A derrota nas penalidades, vista como um “sorteio” para alguns, frequentemente sela destinos no futebol.
A trajetória de Jardim na raposa e os sinais de desgaste
A passagem de Leonardo Jardim pelo Cruzeiro, embora breve, foi marcada por momentos de sucesso e, mais recentemente, por sinais de insatisfação que podem ter contribuído para o desfecho. O treinador chegou ao clube em fevereiro, com a missão de comandar a Raposa em uma temporada que exigiria equilíbrio entre o desempenho no Campeonato Brasileiro e a busca por títulos nas copas.
Conquistas e o caminho para a libertadores
Durante sua gestão, Leonardo Jardim teve um desempenho notável no Campeonato Brasileiro. Sob seu comando, o Cruzeiro garantiu a terceira posição na tabela final da competição, um feito que assegurou uma vaga direta na prestigiada Copa Libertadores da América. Essa conquista não é apenas um mérito esportivo, mas também um alívio financeiro e um atrativo para o mercado de transferências, fortalecendo o clube para desafios futuros. A vaga direta na Libertadores era um objetivo primordial para o Cruzeiro, e alcançá-la sob a batuta de Jardim demonstra a capacidade do treinador de organizar a equipe e extrair resultados consistentes em uma liga tão competitiva como a brasileira. Esse sucesso no Brasileirão, que proporcionou estabilidade para o clube, contrasta fortemente com o desfecho nas copas, ilustrando a dualidade da sua passagem.
Desabafos e controvérsias arbitrais
Apesar do sucesso em alguns fronts, o ambiente em torno de Leonardo Jardim já demonstrava sinais de certo desgaste antes mesmo do revés na Copa do Brasil. Em outubro, após um empate sem gols contra o Palmeiras, válido pela 30ª rodada do Brasileirão, o treinador português vocalizou publicamente sua frustração com a arbitragem. Aquele jogo, disputado em São Paulo, foi marcado por lances polêmicos que, segundo Jardim, prejudicaram o Cruzeiro. Um cartão amarelo para o zagueiro Gustavo Gómez no primeiro tempo e, mais crucial, a expulsão de Fabrício Bruno na etapa final, geraram um descontentamento explícito. Em sua fala após a partida, Jardim questionou a validade de seu trabalho diante de fatores externos: “A alegria que eu tenho tido no Brasil, com o grupo fantástico e os torcedores, estou frustrado. Se vale a pena continuar, quando na realidade não somos nós que controlamos os jogos. Eu fico extremamente frustrado. O peso da insatisfação está quase igualando o da satisfação”, declarou o treinador à época. Essas palavras, ditas em um momento de aparente solidez no campeonato nacional, já indicavam uma fissura na relação entre o treinador e o contexto do futebol brasileiro, ou talvez com as pressões inerentes à sua função e a percepção de falta de controle sobre certos aspectos do jogo. Tais declarações, somadas à recente eliminação, criaram um cenário propício para a decisão da diretoria.
Próximos passos e o legado de uma breve gestão
A saída de Leonardo Jardim abre uma nova fase para o Cruzeiro, que agora se vê na urgência de definir seu futuro comando técnico. A temporada de 2026, com a disputa da Copa Libertadores e a continuidade no Campeonato Brasileiro, exigirá um treinador capaz de dar prosseguimento ao trabalho e superar os desafios que se apresentarão. A gestão de Jardim, embora curta, deixa um legado de qualificação para a competição continental e um grupo de jogadores que foi moldado sob sua filosofia. O clube mineiro terá a tarefa de encontrar um nome que se alinhe com seus objetivos e possa capitalizar sobre a base construída, ao mesmo tempo em que endereça as lacunas evidenciadas em momentos cruciais. A busca por um novo líder técnico será intensa e o mercado de treinadores estará atento aos movimentos da Raposa.
Perguntas frequentes
Por que Leonardo Jardim deixou o Cruzeiro?
Leonardo Jardim deixou o Cruzeiro menos de 24 horas após a equipe ser eliminada pelo Corinthians nas semifinais da Copa do Brasil, em uma disputa de pênaltis. A eliminação foi o fator decisivo para o encerramento de seu contrato, somando-se a um histórico de frustrações com a arbitragem que o treinador já havia expressado publicamente.
Quem são os auxiliares que deixaram o clube junto com Jardim?
Junto com Leonardo Jardim, também deixaram o Cruzeiro os auxiliares técnicos José Barros, Antonio Vieira e Diogo Dias. A saída da comissão técnica completa é um procedimento comum em mudanças de comando.
Quais foram os principais feitos de Leonardo Jardim no Cruzeiro?
O principal feito de Leonardo Jardim no Cruzeiro foi conduzir a equipe à terceira posição no Campeonato Brasileiro, garantindo uma vaga direta para a Copa Libertadores da América da temporada seguinte. Ele assumiu o comando em fevereiro e obteve esse importante resultado na liga nacional.
Quando Leonardo Jardim assumiu o comando do Cruzeiro?
Leonardo Jardim assumiu o comando técnico do Cruzeiro em fevereiro, permanecendo no cargo por aproximadamente 10 meses antes de sua saída.
Acompanhe as próximas notícias e análises sobre o futuro do Cruzeiro e a busca por um novo treinador.



