terça-feira, janeiro 27, 2026
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Crianças e Crise Climática: Medo e Risco de Mortalidade Infantil Disparam no Brasil

Estudos recentes revelam uma crescente preocupação com os impactos das mudanças climáticas sobre a população infantil no Brasil. Uma pesquisa encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal aponta que mais de 80% dos brasileiros temem os efeitos dos extremos climáticos em bebês e crianças de 0 a 6 anos. O levantamento, realizado pelo Datafolha entre os dias 8 e 10 de abril de 2025, ouviu 2.206 pessoas, incluindo 822 responsáveis por crianças.

O principal receio identificado no estudo “Panorama da Primeira Infância: o impacto da crise climática” é o impacto na saúde, citado por 71% dos entrevistados, com destaque para doenças respiratórias. Outras preocupações incluem o aumento do risco de desastres naturais (39%) e a dificuldade de acesso à água limpa e comida (32%). Uma parcela menor dos entrevistados acredita que as mudanças climáticas levarão a uma maior consciência ambiental (15%) ou que a sociedade encontrará soluções para reduzir os danos (6%).

Outra pesquisa, conduzida por cientistas de diversas instituições, incluindo o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), corrobora a apreensão da população. Publicada no periódico Environmental Research, o estudo analisou mais de 1 milhão de mortes de menores de 5 anos ao longo de 20 anos, utilizando dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Conjunto de Dados Meteorológicos Diários em Grade do Brasil (BR-DWGD).

Os resultados indicam que bebês em período neonatal (7 a 27 dias) são particularmente vulneráveis ao frio, apresentando um risco 364% maior de morrer em condições extremas em comparação com condições normais. Em relação ao calor, o impacto aumenta com a idade, sendo 85% maior em calor extremo entre crianças de 1 a 4 anos. A pesquisa revelou que o risco de mortalidade nesta faixa etária pode ser até 95% maior no frio extremo e 29% maior no calor extremo do que em dias com temperatura amena (em torno de 14 a 21°C).

O estudo aponta ainda para variações regionais nos impactos climáticos. A mortalidade de crianças menores de cinco anos relacionada ao frio apresentou o maior aumento (117%) no Sul do país, enquanto a mortalidade relacionada ao calor foi maior no Nordeste (102%). As taxas elevadas de mortes infantis continuam concentradas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, áreas com maior vulnerabilidade socioeconômica e acesso limitado à infraestrutura básica.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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