Goiânia sediou nesta semana a edição de 2025 dos Jogos Interculturais, um evento que reuniu 522 estudantes atletas de escolas do campo, quilombolas e indígenas, incluindo representantes dos povos Xavante, Tapuia do Carretão e Iny Karajá. A competição ocorreu no Clube do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior (SINT-IFES).
A corrida com tora, ritual de grande importância simbólica para o povo Xavante, foi um dos destaques do evento. A imagem dos atletas carregando toras de buriti simbolizou a integração de tradição, cultura e formação cidadã, o objetivo principal dos Jogos Interculturais.
Além da corrida com tora, os jogos contaram com modalidades como cabo de guerra, arco e flecha, luta corporal, capoeira e futebol. O evento busca fortalecer a diversidade étnica e cultural na educação pública, ampliando o sentimento de pertencimento entre os estudantes.
Para o povo Xavante, a corrida com tora é mais do que uma competição. Ela faz parte da organização social e dos rituais ligados aos grupos etários. O ritual geralmente acontece no início da tarde, um horário específico associado à energia corporal e à preparação espiritual. Antes da largada, os corredores passam por um momento de concentração com pintura corporal e práticas espirituais.
As toras utilizadas na corrida são retiradas e preparadas nas aldeias, seguindo um ritual próprio com cantos e práticas específicas. Este ano, a retirada ocorreu na Aldeia do Carretão, com autorização da liderança Tapuia e condução dos Xavante. O percurso em Goiânia também foi definido e validado pelos Xavante, garantindo respeito às tradições.
Os Jogos Interculturais buscam integrar saberes ancestrais ao cotidiano da rede estadual. O evento promove a convivência, o reconhecimento e o aprendizado entre as diferentes culturas, reforçando uma formação que envolve conhecimento e respeito à diversidade.



