Hoje, 20 de novembro, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, assume um significado ainda mais profundo em 2025, marcando o segundo ano como feriado nacional, 137 anos após a abolição da escravatura. Especialistas apontam que a data deve impulsionar a reflexão sobre o racismo estrutural e a violência, especialmente no contexto das operações policiais no país.
O debate ganha força após a recente Operação Contenção, realizada em outubro nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A ação resultou em um número alarmante de 121 mortes, incluindo policiais militares e civis. A operação é considerada a maior chacina já ocorrida no Brasil. Nenhuma das 117 pessoas mortas pela polícia havia sido formalmente denunciada à Justiça. A Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro (OAB-RJ) acompanha a apuração da operação.
Enquanto isso, o principal alvo da operação, identificado como Edgar Alves de Andrade, líder do Comando Vermelho, permanece foragido.
Um levantamento de 2023 aponta que 79% dos moradores do Complexo do Alemão são negros.
Especialistas ressaltam a importância de discutir a perda de direitos da população negra, e reconhecem a data como um dia de resistência e reflexão. Um economista que coordena o Atlas da Violência, do Ipea, aponta o legado colonial nas instituições brasileiras como raiz da violência.
A ausência de operações policiais similares em áreas como Copacabana, Ipanema e Leblon, no Rio de Janeiro, levanta questionamentos sobre a seletividade da violência. Dados do Atlas da Violência revelam que a probabilidade de um indivíduo negro ser assassinado no Brasil é quase três vezes maior do que a de um indivíduo branco.
Uma professora e advogada lembra que a escravidão afetou gerações e não houve garantia de direitos básicos à população negra após a abolição. Segundo ela, a violência contra pessoas negras e pardas é apenas a ponta do iceberg de um problema histórico.
Uma promotora de Justiça destaca a importância da data como um marco de memória, luta e denúncia. Ela ressalta que refletir sobre operações policiais como a da Penha e do Alemão expõe como homens e mulheres negros continuam morrendo devido a uma política de segurança que normaliza a letalidade.
Operações policiais como a Contenção, geram pânico, impedem o funcionamento de serviços básicos e aumentam a evasão escolar, alerta uma professora da UFRJ e da PUC-Rio. Para ela, é preciso resolver a causa, não o sintoma, da violência.
Um grupo de estudos da UFF aponta que as forças de segurança no Rio de Janeiro priorizam operações em áreas dominadas por facções em vez de áreas dominadas pela milícia. Entre 2017 e 2023, mais de 70% das localidades dominadas por facções registraram confronto com a polícia, enquanto esse percentual é significativamente menor nas áreas de milícia.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



