terça-feira, janeiro 27, 2026
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Cineasta Adelia Sampaio: Pioneirismo Negro e Quebra de Barreiras no Cinema Brasileiro

Adelia Sampaio, prestes a completar 81 anos, personifica uma trajetória de ousadia, coragem e pioneirismo que continua a inspirar a cultura brasileira. Em 1984, ela se consagrou como a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, com o filme “Amor Maldito”. A obra, que retratava um relacionamento entre duas mulheres durante a ditadura militar, enfrentou a censura e a falta de apoio financeiro.

Nascida em Belo Horizonte, Adelia passou parte da infância em um abrigo, após sua mãe, empregada doméstica, ser obrigada pela patroa a entregá-la à instituição. Aos 12 anos, reencontrou a família no Rio de Janeiro, onde teve o primeiro contato com o cinema. Aos 13 anos, assistiu ao filme “Ivan, o Terrível”, de Sergei Eisenstein, e decidiu que seguiria carreira na área.

Iniciou sua trajetória no cinema como recepcionista na Difilm, produtora e distribuidora de filmes independentes. Com o tempo, passou a realizar diversas tarefas de produção, aprendendo o ofício na prática. Aos 22 anos, dirigiu seu primeiro curta-metragem, “Denúncia Vazia” (1979), com poucos recursos, mas com o apoio de amigos e colegas de trabalho.

A ascensão de Adelia ocorreu em um período de escassa representatividade de mulheres negras no cinema. Sua filmografia aborda temas complexos e inspirados em fatos reais, como o curta “Denúncia Vazia”, que retrata a história de um casal de idosos despejados que cometeram suicídio.

A cineasta só tomou conhecimento de seu pioneirismo anos após o lançamento de “Amor Maldito”, por meio de uma pesquisa da historiadora e cineasta Edileuza Penha de Souza. Em 2016, Edileuza criou a Mostra de Cinema Negro Adelia Sampaio, que se tornou referência para novos cineastas afro-brasileiros.

Aos 80 anos, Adelia Sampaio segue como inspiração para cineastas mulheres, negras e LGBTQIA+, além de uma nova geração de realizadores que buscam romper com padrões de representação. Sua obra é exibida em mostras e festivais no Brasil e no exterior, e ela é reconhecida como uma cineasta que transformou a adversidade em potência criativa.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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