Pirenópolis se prepara para se transformar em um vibrante território de cinema nos dias 9 e 10 de abril com o Festival Cine Arandu. O evento, que ocorrerá no histórico Cine Teatro de Pirenópolis (Theatro Sebastião Pompeo de Pina), é uma mostra de curtas-metragens brasileiros que abraçam temas culturais e ambientais, dedicada a crianças e adolescentes. Com um total de 162 filmes inscritos de diversos estados do Brasil, a curadoria selecionou 26 obras para exibição, a maioria composta por animações infantis. A programação é gratuita e aberta ao público, tendo como foco principal os estudantes da rede pública de Pirenópolis, proporcionando uma experiência enriquecedora e lúdica que vai além das telas.
A mostra e sua programação diversificada
O Cine Arandu é mais do que uma simples exibição de filmes; ele se consolida como um movimento cultural e educativo em Pirenópolis. A seleção dos 26 curtas-metragens que compõem a programação foi um processo colaborativo, envolvendo não apenas as produtoras do projeto — Aline Lino (bióloga e idealizadora), Lidiana Reis (roteirista) e Uyara Queiroz (Instituto Bororó) —, mas também jovens integrantes do projeto Arandu Ecopedagogia. Essa participação juvenil na curadoria confere uma perspectiva autêntica e alinhada aos interesses do público-alvo, que se estende a crianças e adolescentes de 5 a 16 anos.
Além das sessões de cinema, a programação do festival é enriquecida por diversas atividades culturais e lúdicas. No dia 10 de abril, às 15h30, o grupo de percussão infantojuvenil Pequi Sonoro fará uma apresentação, prometendo animar o público com ritmos vibrantes. Atividades recreativas e interativas também serão oferecidas na área externa do teatro, criando um ambiente festivo e de aprendizado. Filmes como “Dandara”, uma produção goiana, “Nossos Sonhos pela Janela” e “Jardim Mágico” estão entre os destaques, este último explorando as possibilidades de como as novas gerações podem cultivar relações e caminhos mais promissores desde a infância. Outro curta-metragem bastante esperado é “O Bicho que eu tinha medo”, que, segundo Uyara Queiroz, é uma fábula sensível sobre identidade, afeto e pertencimento, tendo sido selecionada em oito festivais na América Latina.
Curadoria participativa e filmes em destaque
A ideia de incluir as crianças e adolescentes na curadoria não é apenas um diferencial, mas um pilar da filosofia do Cine Arandu. Eles não só ajudam a escolher os filmes, mas também atuam como jurados e monitores durante o evento, incentivando o protagonismo juvenil. Lidiana Reis ressalta a importância da experiência coletiva do cinema: “Assistir a filmes em grupo, em um ambiente acolhedor e sem as distrações constantes das telas individuais, permite que crianças e adolescentes desacelerem e se envolvam de forma mais profunda com as narrativas”. Ela explica que os curtas selecionados, ao abordar temas ambientais e culturais, visam despertar sensibilidade, empatia e senso crítico, elementos cruciais para a formação de cidadãos mais conscientes e conectados com o mundo real. O festival também explora novas possibilidades de uso das tecnologias de forma construtiva.
Impacto socioambiental e formação humana
O Cine Arandu é a extensão natural para a comunidade pirenopolina do trabalho que já é cotidiano no Arandu Ecopedagogia, um projeto de educação não formal fundado em 2021 pela bióloga Aline Lino. Iniciado em novembro de 2021 em Pirenópolis (GO), o Cine Arandu foi idealizado por Aline Lino e Lidiana Reis com a missão de articular audiovisual, cultura, educação e consciência socioambiental. Desde sua concepção, o projeto tem promovido experiências que estimulam o pensamento crítico e a criatividade em crianças e adolescentes. Além das sessões temáticas e ciclos formativos para professores, o Arandu também se dedica à produção de conteúdos autorais, como o curta-metragem “Pirenópolis, a guardiã das águas” (2023), desenvolvido pelas próprias crianças participantes.
Em um cenário global onde o uso intenso de novas tecnologias e redes sociais impacta diretamente a saúde mental, o Cine Arandu surge como um movimento de respiro e de escuta para as novas gerações. Ele oferece um “território de pausa e reconexão”, seja consigo mesmo, seja com a natureza e as ricas expressões culturais do país. Aline Lino enfatiza que o Arandu proporciona um ambiente onde crianças e adolescentes redescobrem prazeres esquecidos, como brincar no quintal, aprender de forma lúdica e interagir com amigos longe das telas. A casa rústica no Alto do Carmo, sede do Arandu Ecopedagogia, funciona como um espaço cultural completo, com biblioteca, quintal com árvores frutíferas e parquinho de areia.
O legado do Arandu Ecopedagogia
A filosofia do Arandu Ecopedagogia baseia-se na crença de que o aprendizado vivencial resulta em novos caminhos para um futuro mais saudável. “Além da mudança de hábitos nocivos, como excesso de tempo gasto em redes sociais, acreditamos no desenvolvimento humano e no resgate de novas formas de entretenimento como o gosto pelo ato de ‘ir ao cinema’, a interação com o outro, o investimento no autoconhecimento e em relacionamentos fora do ambiente virtual, com foco na alteridade e na capacidade em se colocar no lugar do outro”, explica Aline Lino.
O projeto é realizado com o apoio fundamental das Secretarias de Cultura e Retomada do Governo de Goiás, do Instituto Bororó, da Sol a Pino Filmes, da The Best Açaí e do Sesc Goiás. Além disso, conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB – Pirenópolis), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), operacionalizados pela Prefeitura de Pirenópolis. Essas parcerias são essenciais para garantir a continuidade e a expansão de iniciativas que promovem cinema, infância e sustentabilidade de maneira integrada e acessível. O Cine Arandu e o Arandu Ecopedagogia representam um farol de esperança e criatividade em Pirenópolis, cultivando mentes jovens e preparando-as para um futuro mais consciente e engajado.
Conclusão
O Festival Cine Arandu em Pirenópolis transcende a simples exibição de filmes, consolidando-se como um pilar de desenvolvimento cultural, educacional e socioambiental para a comunidade. Ao oferecer uma programação gratuita e diversificada, com curadoria participativa de jovens e foco em temáticas relevantes, o evento reforça a importância do cinema como ferramenta de aprendizado e conexão. Integrado ao legado do Arandu Ecopedagogia, o Cine Arandu promove o resgate de experiências lúdicas e interativas, afastando as novas gerações do excesso de telas e incentivando o pensamento crítico, a empatia e o autoconhecimento. Este projeto multifacetado não apenas enriquece a vida cultural de Pirenópolis, mas também semeia valores essenciais para um futuro mais consciente e colaborativo, demonstrando o poder transformador da arte e da educação.
FAQ
O que é o Cine Arandu?
O Cine Arandu é uma mostra de cinema de curtas-metragens brasileiros de cunho cultural e ambiental, voltada principalmente para crianças e adolescentes. O projeto, que surgiu em 2021, visa promover sessões de cinema e atividades de formação audiovisual, estimulando o pensamento crítico e a criatividade.
Quem pode participar do Cine Arandu?
O festival é gratuito e aberto ao público em geral, com foco principal nos estudantes da rede pública de Pirenópolis. Não há necessidade de inscrições prévias para assistir às exibições e participar das atividades.
Quais são os principais objetivos do projeto Cine Arandu e do Arandu Ecopedagogia?
Os projetos têm como objetivos centrais articular audiovisual, cultura, educação e consciência socioambiental. Eles buscam promover o desenvolvimento humano, o resgate de novas formas de entretenimento e a interação social fora do ambiente virtual, além de estimular a sensibilidade, empatia e senso crítico das crianças e adolescentes.
O Arandu Ecopedagogia oferece atividades durante todo o ano?
Sim, a Arandu Ecopedagogia possui um calendário gratuito de atividades aberto durante todos os meses do ano, destinado a crianças de 4 a 16 anos.
Para mais informações sobre a programação completa do festival e as atividades contínuas do projeto Arandu Ecopedagogia, siga suas redes sociais.



