A partir de abril, um cenário geológico singular se abrirá ao público em Campos Belos, no nordeste de Goiás. As impressionantes chaminés de fadas, formações rochosas raras e de beleza peculiar, serão acessíveis por meio de visitas guiadas, marcando um novo capítulo para o ecoturismo e a conservação no estado. Descobertas em uma propriedade particular, essas estruturas únicas, que variam de meros dois centímetros a notáveis quatro metros de altura, foram objeto de um extenso mapeamento por renomados pesquisadores brasileiros. A iniciativa visa não apenas promover o conhecimento sobre esse fenômeno geológico de erosão diferencial, mas também garantir sua preservação rigorosa para as futuras gerações. A abertura representa um marco, conciliando a curiosidade pública com a responsabilidade ambiental, oferecendo uma oportunidade inédita de contemplação da natureza.
A rara descoberta em Campos Belos
A região de Campos Belos, no nordeste de Goiás, é o cenário de uma descoberta geológica que tem atraído a atenção de cientistas e entusiastas da natureza. Em uma propriedade particular, com uma área equivalente a aproximadamente cinco campos de futebol, foram encontradas centenas de formações rochosas conhecidas como “chaminés de fadas”. Essas estruturas, que impressionam pela grandiosidade e pela preservação impecável, variam consideravelmente em tamanho, algumas atingindo até quatro metros de altura, enquanto outras são minúsculas, com apenas dois centímetros. A singularidade do local e a densidade dessas formações tornam a área um achado de relevância nacional.
A descoberta inicial coube ao pai do produtor rural Rodrigo Ferreira, proprietário da fazenda onde as chaminés estão localizadas. A família, ciente da importância e da fragilidade do local, buscou o apoio de geólogos e guias turísticos de Alto Paraíso para traçar um plano de preservação e definir o futuro da área. A abordagem cautelosa e a preocupação em conscientizar a população sobre a necessidade de proteger o patrimônio natural são pilares da iniciativa. Esse comprometimento desde o início garantiu que o planejamento da visitação fosse pautado pela sustentabilidade e pelo mínimo impacto ambiental.
Mapeamento e os esforços de preservação
Para compreender a extensão e a complexidade das chaminés de fadas, um time de pesquisadores brasileiros tem se dedicado ao mapeamento da área. Entre os envolvidos estão Fabio Reis, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e a professora de Geologia Geovana Sanches, da Universidade Federal de Goiás (UFG). Utilizando tecnologia de ponta, como drones para a captação de imagens e dados, a equipe está realizando análises em laboratório para aprofundar o conhecimento sobre essas formações. A pesquisa não apenas documenta a existência e as características das chaminés, mas também contribui para a elaboração de diretrizes de manejo e conservação.
Um aspecto crucial do projeto é o rigoroso plano de preservação. Apenas parte da propriedade será aberta à visitação, mantendo o restante da área intocado para garantir a integridade do ecossistema e das formações não mapeadas ou mais frágeis. Para minimizar o impacto dos visitantes, foi construída uma passarela que orientará o percurso de aproximadamente dois quilômetros. A geóloga Geovana Sanches enfatiza a importância dessa medida: “Se a gente tira uma rocha daquela, não se formará outra no local. Por isso, a visita precisa ser muito bem ordenada para não ter degradação”. Durante os trabalhos de mapeamento, uma segunda área com chaminés de fadas foi descoberta, mas, por decisão dos pesquisadores e proprietários, essa nova localidade permanecerá fechada ao público, reforçando o compromisso com a conservação.
A experiência de visitação e a ciência por trás das formas
A partir de abril, os interessados terão a oportunidade de explorar esse fenômeno geológico em Campos Belos. As visitas serão guiadas, com duração média de duas horas e um percurso cuidadosamente planejado para proteger as formações. Para garantir a preservação, cada grupo de visitação será limitado a um máximo de seis pessoas, e o total diário de visitantes não excederá 40 indivíduos. Detalhes sobre o valor do passeio ainda estão sendo definidos, mas a expectativa é que a experiência ofereça uma imersão educativa e visualmente impactante, em um dos cenários naturais mais singulares do Brasil.
O acesso controlado e a infraestrutura de passarela são fundamentais para equilibrar a curiosidade do público com a necessidade de proteção das chaminés. A fragilidade dessas estruturas e a impossibilidade de sua regeneração em curto prazo exigem uma abordagem turística responsável e consciente. A iniciativa representa um modelo de ecoturismo que prioriza a educação ambiental e a valorização do patrimônio natural, esperando que cada visitante se torne um embaixador da conservação dessas paisagens milenares.
O fenômeno geológico das chaminés
As chaminés de fadas, também conhecidas como pirâmides de terra ou hoodoos, são formações rochosas esculpidas ao longo de milhares de anos por um processo chamado erosão diferencial. Conforme explicado pela geóloga Joana Paula Sánchez, esse fenômeno ocorre quando camadas de rocha mais frágeis na base são progressivamente desgastadas pela ação da água e do vento. Simultaneamente, uma camada superior, composta por material rochoso mais resistente, atua como um “chapéu” protetor, resguardando a coluna de rocha abaixo e permitindo que ela permaneça de pé.
Embora não haja uma estimativa exata para o tempo de formação dessas estruturas, grandes exemplares como os encontrados em Campos Belos podem levar centenas de anos para se consolidar. A singularidade do achado em Goiás se deve não apenas à altura das chaminés, mas também à grande extensão da área onde elas se concentram e ao seu excepcional estado de conservação. Registros anteriores de estruturas semelhantes no Brasil, inclusive no Tocantins, na mesma formação geológica, apresentavam número reduzido e dimensões significativamente menores. Por essa razão, o mapeamento realizado pela UFG em Campos Belos representa o primeiro levantamento formal de chaminés de fadas de tamanha dimensão no país, com um artigo científico sobre o tema já em preparação para publicação.
Conclusão
A abertura da área das chaminés de fadas em Campos Belos, Goiás, representa um marco significativo para a ciência, o ecoturismo e a conservação ambiental no Brasil. A combinação de um fenômeno geológico raro e espetacular com um planejamento de visitação que prioriza a sustentabilidade e a educação cria uma oportunidade valiosa para o público e para a comunidade científica. A dedicação dos pesquisadores em mapear e compreender essas formações, aliada ao compromisso dos proprietários rurais com a preservação, estabelece um precedente importante. Essa iniciativa não apenas coloca Campos Belos no mapa do turismo geológico nacional, mas também reforça a necessidade de proteger e valorizar os tesouros naturais do nosso país, garantindo que as futuras gerações possam continuar a se maravilhar com a beleza esculpida pelo tempo.
Perguntas frequentes (FAQ)
Onde ficam as chaminés de fadas que serão abertas para visitação?
As chaminés de fadas estão localizadas em uma propriedade particular na cidade de Campos Belos, no nordeste de Goiás.
Quando será possível visitar as chaminés de fadas?
A área será aberta para visitação a partir de abril.
O que são as chaminés de fadas?
São formações rochosas esculpidas pela erosão diferencial, onde a base de rocha mais frágil se desgasta, enquanto uma camada superior mais resistente atua como um “chapéu”, protegendo a estrutura abaixo e permitindo que ela permaneça de pé.
Qual o limite de visitantes por dia e por grupo?
As visitas serão limitadas a um máximo de seis pessoas por grupo, com um limite diário de 40 visitantes, para garantir a preservação do local.
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