O desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, Goiás, ganha contornos ainda mais complexos com a revelação de que o síndico do edifício onde ela residia e desapareceu, Cleber Rosa de Oliveira, é alvo de uma dúzia de processos judiciais envolvendo a mulher. A família de Daiane afirma que os conflitos entre a corretora e o síndico eram de longa data, culminando em ações nas esferas cível e criminal, com a maioria dos processos ainda em andamento na justiça. Essa teia de litígios é considerada crucial para as investigações em curso, enquanto a família aguarda respostas sobre o paradeiro de Daiane, que está desaparecida desde 17 de dezembro de 2025.
A complexa teia legal envolvendo o síndico e a corretora
A relação entre Daiane Alves de Souza e Cleber Rosa de Oliveira, síndico do Edifício Ametista Tower, onde a corretora de imóveis residia e administrava propriedades da família, era marcada por um longo histórico de desavenças. Segundo informações da família de Daiane, Cleber responde a um total de 12 processos judiciais que envolvem diretamente a corretora. Estes processos abrangem tanto a área cível quanto a criminal, refletindo uma série de conflitos e disputas ao longo do tempo.
Dos 12 processos, 11 permanecem ativos e em tramitação na Justiça, o que demonstra a persistência e a gravidade dos impasses entre os dois. Apenas um dos casos foi arquivado, e a sentença proferida foi favorável a Daiane, indicando que ela já havia obtido reconhecimento judicial em alguma das disputas. A existência dessa quantidade significativa de litígios levanta sérias questões sobre a dinâmica do relacionamento e a possível motivação por trás dos eventos que levaram ao desaparecimento de Daiane. A família da corretora expressa a crença de que esses processos são um pilar fundamental para a compreensão do contexto em que o sumiço ocorreu.
A denúncia por perseguição e abuso de função
Um dos processos mais recentes e de grande relevância surgiu em 19 de janeiro, apenas 39 dias após o desaparecimento de Daiane Alves. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) formalizou uma denúncia contra Cleber Rosa de Oliveira pelo crime de perseguição, popularmente conhecido como stalking. A acusação é agravada pela alegação de abuso de função, uma vez que Cleber exercia o cargo de síndico do local onde Daiane vivia.
A mãe da corretora, Nilze Alves, de 61 anos, expressou um misto de alívio e tristeza ao comentar a denúncia do MP-GO. Ela afirmou que, embora o novo processo não solucione o mistério do paradeiro de sua filha, ele traz à família uma “sensação de justiça sendo feita”. Nilze relatou que Daiane teria sido alvo de perseguição por Cleber por aproximadamente um ano, tanto de forma pessoal quanto através de grupos de mensagens em plataformas como o WhatsApp. A irmã de Daiane, Fernanda Alves, corrobora essa versão, descrevendo que a corretora não tinha problemas com outros moradores, mas enfrentava dificuldades constantes com o síndico.
Em um processo anterior, datado de maio de 2025, Cleber foi acusado de lesão corporal contra Daiane. Segundo a ação penal, o síndico teria agredido a corretora com uma cotovelada durante um confronto sobre um corte no fornecimento de energia elétrica. Esse incidente prévio ilustra a escalada das tensões e a natureza física de alguns dos conflitos que pontuavam a relação entre os dois. A defesa de Cleber Rosa de Oliveira foi procurada para comentar as acusações, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
O mistério do desaparecimento e a investigação
Daiane Alves de Souza desapareceu na noite de 17 de dezembro de 2025, no Edifício Ametista Tower, localizado dentro do Residencial Golden Thermas, em Caldas Novas. Naquela noite, a corretora de imóveis desceu até o subsolo do prédio, onde morava e geria seis imóveis pertencentes à família. A filha adolescente de Daiane, de 17 anos, não estava no apartamento no momento do ocorrido, o que deixou Daiane sozinha na residência.
A família de Daiane Alves sustenta a teoria de que ela foi raptada por alguém que conhecia profundamente seus hábitos diários e a estrutura interna do prédio. A irmã de Daiane, Fernanda Alves, enfatizou que a captura parece ter sido “muito bem elaborada”. Segundo ela, a pessoa responsável sabia que Daiane estava sozinha no apartamento, conhecia os “pontos cegos” do condomínio e as dependências do prédio, inclusive o apartamento específico da corretora. Um dos detalhes mais perturbadores apontados pela família é que o fornecimento de energia elétrica do apartamento de Daiane foi desligado de forma específica, levando-a a descer para verificar o quadro de energia, um ato que teria sido previsto e explorado pelo suposto agressor.
Detalhes cruciais da última noite e as dificuldades da investigação
Os últimos momentos de Daiane registrados pelas câmeras de segurança do edifício fornecem pistas importantes, mas também aprofundam o mistério. Daiane foi vista entrando no elevador, passando pela portaria para conversar brevemente com o recepcionista, retornando em seguida ao elevador e descendo para o subsolo do prédio. A família ressalta que, desde então, não há registros visuais da corretora saindo do edifício ou retornando ao seu apartamento.
Um detalhe marcante é que Daiane deixou a porta de seu apartamento aberta ao sair para verificar a queda de energia. Vídeos enviados pela corretora a uma amiga momentos antes mostram-na entrando no elevador e deixando a porta aberta, indicando sua intenção de retornar rapidamente. Contudo, a mãe de Daiane, Nilze Alves, relatou que, ao chegar ao local posteriormente, a porta do apartamento já estava trancada.
A Polícia Civil de Goiás montou uma força-tarefa dedicada a solucionar o caso, que tem enfrentado diversas dificuldades. Entre os obstáculos apontados pela investigação, destacam-se a grande quantidade de saídas e entradas no prédio, o que complexifica a análise de movimentações suspeitas, e a demora na perícia do gravador das câmeras de segurança do condomínio e de outros objetos apreendidos. Além disso, a quebra do sigilo bancário de Daiane não revelou transações financeiras após seu desaparecimento, e seu carro foi encontrado em uma oficina em Uberlândia, Minas Gerais, com a informação de que ela utilizava aplicativos de transporte na cidade. O advogado da família, Plínio César Cunha Mendonça, afirmou que acompanha todas as linhas de investigação, que correm em sigilo, aguardando os resultados das perícias.
Conclusão
O desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza em Caldas Novas segue como um enigma, permeado por uma complexa rede de conflitos judiciais com o síndico do prédio onde ela residia. As 12 ações em andamento, incluindo denúncias por perseguição e agressão, pintam um quadro de tensões prolongadas que precederam seu sumiço. Enquanto a força-tarefa da Polícia Civil trabalha para desvendar os fatos, a família de Daiane se apega à esperança de que as investigações, ancoradas tanto nos registros das câmeras quanto nas evidências dos litígios, possam finalmente trazer à tona a verdade sobre o paradeiro da corretora. A denúncia por stalking, embora não solucione o desaparecimento, representa um passo na busca por justiça e elucidação dos motivos por trás de um caso que chocou a comunidade.
Perguntas frequentes
1. Quem é Daiane Alves de Souza e quando ela desapareceu?
Daiane Alves de Souza é uma corretora de imóveis de 43 anos que desapareceu na noite de 17 de dezembro de 2025, em Caldas Novas, Goiás, no edifício onde residia.
2. Qual a relação do síndico Cleber Rosa de Oliveira com o caso?
Cleber Rosa de Oliveira, síndico do prédio onde Daiane morava, é alvo de 12 processos judiciais envolvendo a corretora, incluindo uma denúncia recente por perseguição (stalking) e um processo anterior por lesão corporal.
3. Quais são as principais teorias sobre o desaparecimento de Daiane?
A família acredita que Daiane foi raptada por alguém que conhecia seus hábitos e as instalações do prédio, aproveitando-se de um corte de energia para atraí-la ao subsolo. A investigação da Polícia Civil busca confirmar ou refutar essa e outras hipóteses.
Para mais informações sobre este e outros casos de relevância, acompanhe nossas próximas atualizações.



