A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou recentemente um conjunto abrangente de orientações vitais para assegurar a segurança alimentar dos brasileiros durante as festividades de fim de ano. Este período, marcado por reuniões familiares e sociais, celebrações e um aumento significativo no consumo e preparo de alimentos, apresenta desafios únicos que podem comprometer a saúde se as precauções adequadas não forem tomadas. Com mesas fartas e uma variedade de pratos, desde entradas frias a assados elaborados e sobremesas, a atenção redobrada se faz necessária para evitar incidentes como as Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs). As diretrizes da Anvisa visam capacitar consumidores e anfitriões a protegerem seus convidados, garantindo que as celebrações sejam lembradas pelos bons momentos e não por problemas de saúde decorrentes de falhas no manuseio, armazenamento ou preparo dos alimentos. O foco é prevenir riscos desde a compra dos ingredientes até o consumo das sobras, promovendo um ambiente festivo seguro e livre de preocupações sanitárias.
Da compra ao preparo: cuidados essenciais para a mesa de fim de ano
A preparação para as festas de fim de ano começa muito antes de os pratos serem servidos, estendendo-se desde a escolha dos ingredientes no supermercado até o momento final do cozimento. A Anvisa enfatiza que cada etapa é crucial para garantir a integridade e a salubridade dos alimentos que comporão a ceia.
A seleção inteligente e o transporte seguro dos alimentos
Ao realizar as compras, o consumidor deve adotar uma postura vigilante. É fundamental verificar a data de validade de todos os produtos, garantindo que estejam dentro do prazo de consumo. Embalagens de alimentos devem ser inspecionadas quanto à integridade, evitando aquelas que apresentem rasgos, amassados, inchaços ou qualquer sinal de violação que possa comprometer a esterilidade ou conservação. Produtos refrigerados e congelados merecem atenção especial; eles devem ser os últimos itens a serem colocados no carrinho e transportados para casa em sacolas térmicas ou caixas com gelo, minimizando o tempo de exposição a temperaturas inadequadas. A separação de produtos crus (carnes, aves, peixes) de alimentos prontos para consumo ou vegetais é outra medida primordial para prevenir a contaminação cruzada já na fase de compra e transporte.
Higiene e manuseio: as bases para a prevenção de contaminação
No ambiente da cozinha, a higiene é a palavra de ordem. Antes de iniciar qualquer manuseio de alimentos, é imperativo lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, repetindo o processo sempre que houver troca de atividade (ex: após tocar em carne crua e antes de manipular vegetais) ou após ir ao banheiro. Superfícies de trabalho, utensílios, tábuas de corte e equipamentos devem ser rigorosamente limpos e sanitizados. A Anvisa reitera a importância de utilizar tábuas e facas diferentes para alimentos crus e cozidos ou vegetais, a fim de evitar a contaminação cruzada por microrganismos patogênicos. Frutas, verduras e legumes devem ser lavados em água corrente e, se possível, sanitizados com soluções cloradas próprias para alimentos, seguindo as instruções do fabricante.
O cozimento correto e o descongelamento seguro
O cozimento adequado é um dos pilares da segurança alimentar, pois temperaturas elevadas são eficazes na eliminação de bactérias nocivas. A Anvisa recomenda que carnes, aves e ovos atinjam temperaturas internas específicas para garantir a morte dos microrganismos. O uso de um termômetro culinário é o método mais confiável para verificar se as temperaturas internas mínimas foram alcançadas: 74°C para aves, 71°C para carnes moídas e ovos, e 63°C para carnes inteiras e peixes. O descongelamento de alimentos deve ser feito de forma segura para evitar o crescimento bacteriano. As opções seguras incluem a geladeira (o método mais recomendado, pois mantém o alimento em temperatura segura), o micro-ondas ou em água fria corrente, trocada a cada 30 minutos. Jamais descongele alimentos em temperatura ambiente, pois isso cria uma “zona de perigo” onde bactérias podem se multiplicar rapidamente.
Durante e após a celebração: mantendo a integridade dos pratos
Uma vez que os pratos estão prontos, a atenção à sua conservação continua a ser crucial. As diretrizes da Anvisa se estendem para o momento de servir e para o cuidado com as sobras, que são frequentemente consumidas nos dias seguintes às festividades.
O tempo de exposição e o reaquecimento de alimentos
Alimentos prontos para consumo não devem permanecer em temperatura ambiente (entre 5°C e 60°C) por mais de duas horas. Essa faixa de temperatura é conhecida como “zona de perigo”, ideal para a proliferação de bactérias. Para pratos quentes, a recomendação é mantê-los acima de 60°C até o momento de servir, enquanto pratos frios devem ser mantidos abaixo de 5°C. Caso o alimento permaneça fora da refrigeração por mais de duas horas, especialmente em ambientes quentes, a Anvisa aconselha o descarte, pois o risco de contaminação torna-se elevado. Se as sobras forem reaquecidas, elas devem atingir uma temperatura interna de pelo menos 74°C, garantindo a eliminação de qualquer bactéria que possa ter se desenvolvido.
Armazenamento de sobras: garantindo a segurança para o dia seguinte
As sobras das festas são uma tradição, mas exigem cuidados específicos para que possam ser consumidas sem riscos. A Anvisa orienta que os alimentos sejam refrigerados o mais rápido possível após a refeição, idealmente dentro de uma hora. Para acelerar o processo de resfriamento, as porções devem ser divididas em recipientes menores e rasos, facilitando que atinjam a temperatura segura na geladeira mais rapidamente. Os recipientes devem ser limpos, de material adequado para alimentos e com tampas herméticas para evitar a contaminação cruzada por outros itens na geladeira. Sobras armazenadas na geladeira devem ser consumidas em no máximo três a quatro dias. Para períodos mais longos, o congelamento é uma opção, com as sobras podendo ser mantidas por até três meses, desde que devidamente embaladas e identificadas com a data de congelamento.
Atenção especial a bebidas, gelo e pratos sensíveis
Além dos alimentos sólidos, as bebidas e o gelo também merecem atenção. A procedência da água utilizada para fazer gelo e no preparo de bebidas deve ser confiável. Evite o consumo de bebidas caseiras cuja origem dos ingredientes ou processo de fabricação seja duvidoso. Pratos que contêm ingredientes de alto risco, como maionese caseira , saladas com ovos ou frutos do mar crus, são particularmente sensíveis e devem ser consumidos o mais fresco possível, sendo priorizados na hora de servir e tendo seu tempo de exposição à temperatura ambiente rigorosamente controlado. A Anvisa alerta que esses alimentos são mais propensos a abrigar bactérias e causar intoxicações se não forem manuseados corretamente.
Um fim de ano seguro para todos
Seguir as orientações de segurança alimentar da Anvisa não é apenas uma formalidade, mas uma prática essencial para proteger a saúde de todos que compartilham a mesa durante as festividades de fim de ano. Ao adotar essas medidas simples, porém eficazes, desde a compra dos ingredientes até o consumo das sobras, é possível prevenir doenças transmitidas por alimentos e garantir que as celebrações sejam marcadas apenas por momentos de alegria e confraternização. A responsabilidade no manuseio dos alimentos é um gesto de cuidado e respeito com a saúde de familiares e amigos, contribuindo para que esta época seja verdadeiramente especial e segura.
FAQ
Como saber se um alimento está seguro para ser consumido após ter ficado fora da geladeira?
A Anvisa recomenda que alimentos perecíveis não fiquem em temperatura ambiente por mais de duas horas. Se o tempo exceder este limite, especialmente em dias quentes, é mais seguro descartar o alimento, mesmo que não apresente sinais visíveis de deterioração, pois bactérias podem ter se multiplicado a níveis perigosos.
Qual a melhor forma de descongelar carnes e aves de forma segura?
O método mais seguro é descongelar na geladeira, permitindo que o alimento descongela lentamente sob refrigeração. Outras opções incluem o uso do micro-ondas ou em água fria corrente, trocando a água a cada 30 minutos. Nunca descongeles alimentos em temperatura ambiente.
Posso reaquecer as sobras de comida várias vezes?
Não é recomendado reaquecer o mesmo alimento múltiplas vezes. Cada ciclo de aquecimento e resfriamento aumenta o risco de proliferação bacteriana. É ideal reaquecer as sobras apenas uma vez e garantir que atinjam 74°C internos antes do consumo. Se houver mais sobras, descarte-as após o primeiro reaquecimento.
Para mais informações e detalhes sobre segurança alimentar nas festas, consulte as diretrizes completas da Anvisa e garanta um fim de ano saudável e tranquilo para sua família.



