A Anistia Internacional classificou como “desastrosa” a operação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. A diretora-executiva da organização no Brasil, Jurema Werneck, questiona o alegado sucesso da ação, que, segundo o balanço mais recente, resultou em 119 mortes.
Werneck contesta a versão de que a operação foi planejada, argumentando que o alto número de mortes coloca em xeque essa afirmação. Ela criticou a falta de controle do ambiente por parte dos policiais e a ausência do “dever de proteção da vida e do patrimônio”. Para a diretora, a operação representa um “retumbante fracasso” para o Estado e para a sociedade, e não apenas para o governo estadual.
A declaração da Anistia Internacional diverge da avaliação do governador do Rio de Janeiro, que considerou a operação positiva e um “duro golpe na criminalidade”. Werneck, por outro lado, acredita que a fala do governador “estimula toda ação fora da lei”, e afirma que tanto ele quanto a equipe de segurança pública sabem da ilegalidade da operação, que seria “um desrespeito ao direito internacional, aos diretos humanos, à Constituição e toda legislação brasileira.”
A Anistia Internacional, em conjunto com outras entidades, está reunindo relatos sobre a operação e, segundo Werneck, as informações recebidas revelam “descalabros”. A organização espera que o governador apresente provas da correção da operação e do suposto planejamento da ação. A Anistia promete auxiliar as pessoas afetadas, buscando reparação judicial e responsabilização das autoridades. “A gente só espera que as instituições brasileiras cumpram o seu dever. O mundo inteiro está vendo”, conclui Werneck.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



